A Santander Asset Management reduziu sua convicção em relação ao Brasil, mas ainda mantém um viés positivo nos investimentos no país. A gestora, que administra mais de R$ 1 trilhão em ativos globalmente, afirma que as incertezas fiscais e políticas levaram a uma postura mais cautelosa, embora a equipe continue comprada em bolsa e em posições vendidas em dólar.
Decisão de investimento baseada em valuation e fluxo
Em entrevista ao Valor, o diretor de investimentos da Santander Asset no Brasil, Ricardo Arouca, explicou que a decisão de manter o viés positivo se deve principalmente ao valuation atrativo da bolsa brasileira e ao fluxo de investimentos estrangeiros. "Temos mantido um viés positivo com Brasil, embora com menos convicção", afirmou Arouca. Segundo ele, a equipe de análise reduziu a exposição em alguns setores, como varejo e construção civil, devido ao cenário macroeconômico mais desafiador.
Riscos fiscais e políticos pesam
Arouca destacou que o principal risco para o Brasil continua sendo o fiscal, com o aumento da dívida pública e a falta de um arcabouço fiscal crível. Além disso, as eleições de 2026 geram incertezas políticas que podem impactar os mercados. "Estamos monitorando de perto as discussões sobre o orçamento e as reformas. Qualquer sinal de descontrole fiscal pode levar a uma revisão da nossa posição", disse.
Posicionamento atual: comprado em bolsa e vendido em dólar
Apesar das cautelas, a Santander Asset mantém posições compradas em ações brasileiras, especialmente em setores ligados a commodities e energia, que se beneficiam do cenário global. Em relação ao câmbio, a gestora está vendida em dólar, apostando na valorização do real. "O real está desvalorizado em relação ao seu valor justo, e acreditamos que há espaço para apreciação, desde que o cenário fiscal não se deteriore", explicou Arouca.
Perspectivas para 2026
Para o segundo semestre de 2026, a Santander Asset projeta um crescimento do PIB brasileiro de cerca de 2,5%, inflação dentro da meta e juros estáveis. No entanto, a gestora alerta que os riscos externos, como a desaceleração da China e a política monetária nos Estados Unidos, podem afetar o desempenho dos ativos brasileiros. "Estamos atentos aos movimentos globais. O Brasil não está imune a choques externos", concluiu Arouca.



