Em um cenário de alta volatilidade e juros elevados, apenas cinco fundos multimercados conseguiram superar o CDI no acumulado de 2025, segundo levantamento recente. O resultado chama a atenção porque a maioria dos fundos da categoria tem tido dificuldade em entregar retornos acima do benchmark, dado o ambiente macroeconômico desafiador.
O que os fundos vencedores têm em comum
Os gestores desses fundos bem-sucedidos compartilham estratégias como alocação em ativos internacionais, uso de derivativos para proteção cambial e exposição a crédito privado de alta qualidade. Além disso, todos mantiveram posições defensivas em renda fixa indexada à inflação, aproveitando as taxas reais elevadas.
Segundo analistas, a diversificação geográfica foi um diferencial importante. Enquanto o mercado doméstico sofreu com incertezas fiscais e políticas, os fundos que investiram parte do patrimônio no exterior conseguiram capturar ganhos com a desvalorização do real e a alta de bolsas internacionais.
Desempenho do Ibovespa e perspectivas
O Ibovespa futuro opera em alta nesta segunda-feira (20), impulsionado pelo alívio nas tensões entre Estados Unidos e Irã e pela queda nos preços do petróleo. O mercado reage positivamente às sinalizações de diálogo entre as nações, que reduzem o risco de um conflito mais amplo no Oriente Médio.
Por outro lado, a guerra comercial entre EUA e China continua no radar, com impactos sobre commodities e cadeias produtivas. O minério de ferro recuou nesta sessão, refletindo a fraca demanda sazonal por aço na China.
Dólar e juros: estabilidade com cautela
O dólar opera próximo da estabilidade, com investidores monitorando os desdobramentos geopolíticos e as sinalizações do Federal Reserve sobre os próximos passos da política monetária. A pesquisa Focus divulgada hoje mostra que o mercado reduziu a projeção do IPCA para 2026 pela terceira semana consecutiva, indicando expectativa de inflação mais controlada no médio prazo.
Para o curto prazo, a Selic ainda elevada continua sendo um atrativo para investidores estrangeiros, mas a incerteza fiscal limita a queda dos juros futuros.
Destaques corporativos: Raízen, BRB e mais
A Raízen (RAIZ4) recebeu prazo da B3 até março de 2027 para reenquadrar suas ações acima de R$ 1, sob risco de serem canceladas. A empresa está em processo de reestruturação para atender à exigência da bolsa. Outras ações como BRB, Helbor e Casas Bahia também estão no radar dos investidores nesta segunda-feira.
No setor de aviação, a Ryanair reportou queda no lucro do primeiro trimestre fiscal, pressionada pela redução das tarifas e pelo aumento do custo do combustível. Já a Eve Air, subsidiária da Embraer, assinou carta de intenções para fornecer até 30 veículos voadores elétricos (eVTOLs).
Perspectivas para o mercado brasileiro
O Morgan Stanley reiterou o Brasil como seu mercado favorito na América Latina, apontando valuations atrativos e potencial de alta para a Bolsa. No entanto, os analistas destacam que a aprovação de reformas estruturais e a melhora no ambiente fiscal são condições necessárias para destravar o fluxo de capitais.
O economista Paul Krugman, em artigo recente, afirmou que as tarifas propostas por Donald Trump visam punir o Pix, mas dificilmente terão efeito prático sobre o sistema de pagamentos brasileiro. A declaração gerou debate entre especialistas sobre os impactos de medidas protecionistas dos EUA.



