Apenas cinco fundos multimercados conseguiram superar o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) no acumulado de 2026 até o momento, segundo levantamento recente. O desempenho contrasta com a média do setor, que sofre com a volatilidade dos juros e a incerteza fiscal no Brasil. Os gestores desses fundos bem-sucedidos adotaram estratégias semelhantes: redução drástica da exposição a juros domésticos e aposta em crédito privado de alta qualidade, além de posições em ativos internacionais.
O que os fundos vencedores têm em comum
Os multimercados que bateram o CDI compartilham três características principais. Primeiro, minimizaram a exposição à taxa Selic e aos títulos públicos prefixados, que sofreram com a alta dos juros futuros. Em segundo lugar, aumentaram a alocação em debêntures e certificados de recebíveis com spread elevado, mas com rating baixo risco de inadimplência. Por fim, mantiveram posições compradas em dólar e em ações de empresas exportadoras, beneficiando-se da desvalorização do real.
Segundo um gestor de um dos fundos, que preferiu não ser identificado, “o segredo foi evitar o ‘duration’ local e buscar retorno em crédito privado com prazos curtos e garantias reais”. Ele acrescentou que a estratégia exigiu análise criteriosa de balanços e monitoramento constante de covenants.
Desempenho do mercado e perspectivas
Enquanto isso, o Ibovespa opera em queda de 0,8% nesta segunda-feira, pressionado pela aversão a risco global e pela escalada das tensões no Oriente Médio. O dólar comercial subiu 0,5%, cotado a R$ 5,85, refletindo a busca por proteção. Os juros futuros avançam, com o contrato de DI para janeiro de 2028 atingindo 14,2% ao ano.
No cenário internacional, o petróleo Brent opera estável, perto de US$ 72 o barril, após declarações do ministro do Irã indicando disposição para negociações com os EUA. Mais cedo, o mercado reagiu a relatos de explosões em petroleiros no Estreito de Ormuz, mas o tom das autoridades iranianas acalmou os ânimos.
Raízen e B3: prazo para reenquadramento
A Raízen (RAIZ4) recebeu um prazo da B3 até março de 2027 para reenquadrar suas ações acima de R$ 1. Atualmente, o papel negocia em torno de R$ 0,80, abaixo do valor mínimo para permanecer no segmento de listagem. A empresa terá que apresentar um plano de recuperação ou realizar grupamento de ações para evitar a saída do Novo Mercado.
Grupo SBF anuncia pagamento de proventos
O Grupo SBF (SBFG3), controlador da Centauro e da Nike no Brasil, definiu a data de pagamento de proventos. Os acionistas com posição em 30 de junho terão direito a R$ 0,15 por ação, a serem creditados em 15 de agosto. O dividend yield é de aproximadamente 1,2% com base no preço atual.
Petróleo, Focus e balança comercial
O mercado também monitora a divulgação do relatório Focus, que deve mostrar nova elevação nas expectativas de inflação para 2026, atualmente em 5,8%. A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 6,5 bilhões em junho, abaixo do esperado, devido à queda nas exportações de minério de ferro e soja. O petróleo tipo Brent oscila com as notícias do Oriente Médio, após altas recentes.
Em resumo, o cenário exige cautela dos investidores, mas os fundos multimercados que conseguiram superar o CDI mostram que é possível obter retorno acima da referência com gestão ativa e diversificação global.



