Em um ano desafiador para a indústria de fundos, apenas cinco multimercados conseguiram superar o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) em 2025. O levantamento, realizado com base nos dados disponíveis até o fim de abril, revela que a maioria dos fundos da categoria amarga retornos abaixo do benchmark, em meio à volatilidade dos mercados e à política monetária restritiva.
O que os fundos vencedores têm em comum?
Segundo gestores consultados, os fundos que bateram o CDI compartilham características como exposição moderada a juros, posições táticas em câmbio e baixo beta em relação ao Ibovespa. Além disso, todos mantiveram caixa elevado durante os períodos de maior turbulência, evitando perdas em ativos de risco.
Entre os destaques, o fundo A apresenta rentabilidade de 108% do CDI no ano, seguido pelo fundo B com 105%. Os gestores atribuem o desempenho a operações de arbitragem e à alocação em títulos públicos indexados à inflação.
Desempenho geral dos multimercados
Dos 1.200 fundos multimercados acompanhados, apenas 0,4% superaram o CDI. A mediana do setor ficou em 80% do CDI, evidenciando a dificuldade de gerar retorno real em um cenário de juros elevados. O CDI acumula alta de 4,5% no ano.
"O ambiente macroeconômico, com inflação persistente e incertezas fiscais, tem penalizado estratégias mais arrojadas", afirma Carlos S. (nome fictício), gestor de um dos fundos vencedores. "A chave foi ser seletivo e não se expor a ativos ilíquidos."
Perspectivas para o segundo semestre
Para os próximos meses, os gestores esperam que a Selic permaneça em patamar elevado, o que pode continuar beneficiando estratégias focadas em renda fixa. No entanto, alertam para riscos externos, como a tensão geopolítica entre Estados Unidos e Irã, que pode impactar o preço do petróleo e a inflação global.
"O mercado de fundos multimercados está passando por uma depuração natural. Os gestores que não entregarem valor terão dificuldade em captar recursos", conclui o especialista.



