O trader Ricardo Brasil foi o convidado do episódio 257 do programa GainCast, onde detalhou como sua visão de mercado evoluiu e por que precisou abandonar estratégias que já foram altamente lucrativas. Segundo ele, a principal característica de quem sobrevive no longo prazo não é encontrar uma estratégia vencedora, mas entender quando ela deixa de funcionar.
Estratégias mudam
Ao longo dos anos, Ricardo Brasil construiu diferentes abordagens operacionais, muitas delas baseadas em distorções específicas do mercado. Ele relembra o período em que explorou operações em IPOs, estratégia que chegou a gerar ganhos relevantes, mas perdeu eficiência com a mudança de dinâmica do mercado brasileiro. “As ideias continuam as mesmas; o problema é que as estratégias mudam toda hora. Assim, têm vários padrões que morreram”, admite.
Com a forte redução no número de aberturas de capital no Brasil, esse tipo de operação praticamente desapareceu do radar do trader. “Eu tinha um treinamento de IPO; morreu”, revela.
Novas assimetrias
Por outro lado, o trader passou a buscar novas assimetrias, inclusive em eventos específicos, como eleições, em que identificou padrões estatísticos recorrentes em determinados ativos. “Nas últimas seis eleições, se você comprar Petrobras segunda, terça, quarta, quinta e sexta no fechamento antes do primeiro turno e vender na segunda-feira na abertura depois do primeiro turno, 100% de acerto”, afirma. Ainda assim, ele pondera que esse tipo de leitura exige cautela, já que o histórico é limitado e não garante repetição futura.
O foco atual está em testar e validar novas teses com base em dados, inclusive fora do Brasil. “Eu tô começando a fazer isso. Tô com três, quatro planilhas aqui monstruosas, justamente para ver se que eu falei é um trade que dá para fazer lá”, conta.
Viver de trade
Apesar das mudanças no operacional ao longo do tempo, o trader afirma que é possível viver do mercado financeiro, mas destaca que o caminho até a consistência passa, necessariamente, por gestão de risco e sobrevivência no longo prazo. Segundo ele, a trajetória foi construída de forma progressiva, sem exposição extrema no início, o que ajudou a evitar rupturas.
Ele reconhece que já operou com níveis elevados de alavancagem no passado, o que trouxe aprendizados relevantes — inclusive com perdas significativas. “Eu perdi 10% em um único dia”, relata. Nesse sentido, ele reforça que viver de trade não está ligado à frequência ou ao tamanho das operações, mas à capacidade de se manter ao longo do tempo, atravessando diferentes ciclos de mercado e ajustando a estratégia conforme o momento. “Eu sou a prova viva desse negócio”, conclui.



