Estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) voltaram a protestar contra a crise no transporte coletivo de Rio Branco na manhã desta terça-feira (14). Com cartazes e faixas criticando o sistema de transporte público da capital, os manifestantes cobram medidas imediatas para garantir o deslocamento dos estudantes até a universidade.
O ato ocorre um dia após uma manifestação em frente à Prefeitura de Rio Branco, que terminou em confusão e agressões entre estudantes e servidores municipais. O grupo bloqueou a entrada e a saída do campus da instituição, na BR-364, impedindo a circulação de veículos e provocando congestionamento no acesso à universidade.
Reivindicações dos estudantes
Segundo o estudante Leonardo Maia, integrante do movimento, o protesto desta terça não estava previsto inicialmente, mas foi motivado pela convocação de uma reunião extraordinária do Conselho Universitário (Consu) para discutir medidas relacionadas aos prejuízos enfrentados pelos alunos devido à falta de transporte. Entre as reivindicações está a adoção de um semestre acadêmico atípico, medida que, segundo os estudantes, evitaria prejuízos acadêmicos para quem deixou de frequentar as aulas por dificuldades de locomoção.
"Quem não está vindo para a aula não é porque não gosta de estudar. É porque não consegue acessar a universidade, já que não existe transporte coletivo funcionando de forma adequada na cidade", afirmou Leonardo Maia.
Críticas às promessas
O estudante também criticou as promessas feitas durante uma reunião realizada na segunda-feira (13), na Reitoria da Ufac, entre representantes do movimento estudantil, da universidade, da RBTrans e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC). Segundo ele, a promessa de ampliação da frota a partir do próximo fim de semana não convence mais os estudantes.
"A gente ouve que 'na semana que vem vai melhorar' há seis anos. Chegou um momento em que não dá mais para esperar enquanto perdemos o direito de estudar, trabalhar e acessar a cidade", afirmou.
Desdobramentos do protesto anterior
A nova mobilização acontece um dia depois do protesto realizado em frente à Prefeitura de Rio Branco, que terminou em tumulto. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram estudantes e servidores municipais trocando empurrões durante a manifestação. Em uma das imagens, uma estudante é empurrada e cai no chão.
Em nota divulgada após o episódio, a Prefeitura informou que respeita o direito à manifestação, mas afirmou não compactuar com invasão de prédio público e agressões. Segundo o Executivo, uma comissão de estudantes já tinha horário marcado para ser recebida quando parte dos manifestantes tentou entrar à força no prédio.
Reunião e medidas emergenciais
Ainda na segunda-feira, representantes da Prefeitura, da RBTrans, da Reitoria da Ufac, do Tribunal de Contas do Estado e do movimento estudantil participaram de uma reunião para discutir alternativas emergenciais para o transporte coletivo. Durante o encontro, a RBTrans informou que iniciou tratativas com a empresa responsável pelo serviço para ampliar, de forma emergencial, a frota das linhas que atendem a Ufac e o Instituto Federal do Acre (Ifac), principalmente nos horários de maior demanda.
Posição da Ufac
Também na segunda-feira, a Ufac divulgou uma nota de repúdio às agressões registradas durante o protesto em frente à prefeitura. A universidade afirmou que a mobilização estudantil representa uma reivindicação legítima por condições dignas de acesso e permanência no ensino superior e destacou que é inadmissível qualquer episódio de violência contra estudantes durante o exercício do direito à manifestação.
"A Universidade solidariza-se com os estudantes envolvidos e reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos humanos, da integridade de sua comunidade acadêmica e da construção de soluções para os problemas que afetam a população acreana", complementou a nota.
A crise no transporte coletivo de Rio Branco tem afetado milhares de usuários, com menos da metade da frota em operação, gerando demoras e superlotação. Os estudantes seguem mobilizados até que suas demandas sejam atendidas.



