Uma nova febre tomou conta do mercado de renda fixa brasileiro: títulos que pagam até CDI+5% estão atraindo investidores em busca de retornos elevados. No entanto, especialistas alertam que esses produtos exigem cuidados redobrados, especialmente em relação ao risco de crédito e à liquidez.
O que são os títulos que pagam CDI+5%?
Trata-se de debêntures, certificados de recebíveis imobiliários (CRI) e certificados de recebíveis do agronegócio (CRA) emitidos por empresas de médio e grande porte. Esses papéis oferecem prêmios generosos sobre o CDI para atrair investidores, mas carregam riscos maiores que os títulos públicos.
Segundo dados da Anbima, o volume de emissões desses ativos cresceu 35% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. A busca por yield em um cenário de juros ainda elevados impulsiona a demanda.
Riscos que o investidor não pode ignorar
O principal risco é o de crédito: se a empresa emissora enfrentar dificuldades financeiras, pode não honrar o pagamento dos juros ou do principal. Diferentemente dos títulos do Tesouro, esses papéis não contam com garantia do governo.
Outro ponto é a liquidez. Muitos desses títulos são negociados no mercado secundário com baixa frequência, o que pode dificultar a venda antecipada. “O investidor precisa ter horizonte de longo prazo e não precisar do dinheiro antes do vencimento”, afirma Carlos Sposito, analista de renda fixa da XP Investimentos.
Como escolher os melhores ativos
Para minimizar riscos, especialistas recomendam diversificar entre diferentes setores e emissores, além de verificar a classificação de risco (rating) atribuída por agências como S&P, Moody’s ou Fitch. Títulos com rating AAA ou AA são considerados de baixo risco, enquanto ratings abaixo de BBB indicam risco elevado.
Outra dica é preferir emissões de empresas com boa governança corporativa e histórico de pagamentos. Fundos de investimento em renda fixa também podem ser uma alternativa, pois oferecem diversificação e gestão profissional.
Impacto da Selic e das expectativas econômicas
Com a Selic em 13,75% ao ano, os títulos que pagam CDI+5% oferecem retorno bruto próximo a 18,75% ao ano. No entanto, se a Selic cair mais rapidamente que o esperado, o prêmio pode se tornar menos atraente. Por outro lado, se a inflação continuar elevada, o ganho real pode ser corroído.
O cenário fiscal e político também influencia. A aprovação de reformas ou a manutenção do arcabouço fiscal podem reduzir o risco-país e diminuir os spreads exigidos pelos investidores.
Em resumo, a febre da renda fixa com CDI+5% oferece oportunidades, mas exige cautela. O investidor deve avaliar seu perfil de risco, horizonte de investimento e realizar uma análise criteriosa de cada ativo antes de aplicar.



