Os títulos públicos indexados à inflação, as NTN-Bs, sofreram nova piora nesta quarta-feira, com a taxa real ultrapassando 6,5% ao ano, o maior patamar desde 2016. O movimento reflete a crescente desconfiança do mercado quanto à política fiscal do governo, em meio ao avanço das despesas obrigatórias e à falta de uma âncora fiscal crível.
Taxas reais disparam e expõem fragilidade
As NTN-Bs com vencimento em 2029, por exemplo, registraram taxa real de 6,53% ao ano, ante 6,48% no fechamento anterior. Já os papéis com vencimento em 2035 saltaram para 6,61% ao ano, contra 6,55% na véspera. Segundo analistas, a alta das taxas reais indica que os investidores exigem um prêmio maior para carregar títulos atrelados à inflação, diante do risco de descontrole fiscal.
Impacto no mercado de capitais
A piora das NTN-Bs também contaminou o mercado de ações e o câmbio. O Ibovespa fechou em queda de 1,2%, aos 112 mil pontos, enquanto o dólar comercial subiu 0,8%, cotado a R$ 5,10. "O mercado está precificando um risco fiscal elevado, o que pressiona os juros reais e afasta investidores", afirmou Carlos Alberto, economista-chefe da XP Investimentos. Segundo ele, a falta de uma âncora fiscal clara e o crescimento das despesas obrigatórias são os principais fatores por trás do movimento.
Expectativas para o futuro
Para os próximos dias, a tendência é de continuidade da volatilidade, com os investidores aguardando sinais do governo sobre o controle das contas públicas. A ausência de medidas concretas para conter gastos pode levar a uma nova rodada de piora nos títulos indexados à inflação. "Enquanto não houver uma sinalização crível de ajuste fiscal, as NTN-Bs continuarão sob pressão", concluiu Carlos Alberto.



