Uma análise de 92 fundos multimercado acompanhados pela Outliers Advisory mostra que apenas 16% deles conseguiram superar o CDI nos últimos cinco anos. O desempenho decepcionante acende um alerta para gestores independentes, que enfrentam o desafio de evitar a chamada 'espiral da morte' — ciclo de resgates e perda de patrimônio que compromete a sustentabilidade do negócio.
Resultados abaixo do esperado
Segundo Samuel Ponsoni, sócio da Outliers Advisory, a amostra representa uma fatia relevante do mercado de multimercados brasileiro. Em cinco anos, apenas 16% dos fundos renderam acima do CDI, referência de rentabilidade para investimentos de renda fixa no país. Isso significa que 84% dos fundos analisados ficaram aquém do benchmark, o que pode levar investidores a questionar a relação risco-retorno desses produtos.
Desafio dos assets independentes
Para as gestoras independentes, o cenário é ainda mais desafiador. Ponsoni destaca que o baixo retorno relativo pode desencadear uma 'espiral da morte': com resgates crescentes, o patrimônio sob gestão encolhe, elevando custos operacionais e forçando a venda de ativos em momentos desfavoráveis. Isso reduz ainda mais a capacidade de gerar retornos superiores, perpetuando o ciclo.
O especialista ressalta que, para evitar esse destino, os gestores precisam focar em estratégias de diferenciação e comunicação clara com os cotistas. 'O mercado está cada vez mais seletivo, e apenas os fundos que entregam valor consistente conseguem reter capital', afirma.
Impacto no mercado
O desempenho mediano dos multimercados também reflete um ambiente macroeconômico desafiador, com juros elevados e volatilidade nos mercados globais. A taxa CDI, que acompanha a Selic, tem se mantido em patamares altos, tornando mais difícil para estratégias mais arrojadas superarem o referencial.
Para investidores, a lição é clara: a escolha de fundos multimercado exige análise criteriosa de histórico, consistência e alinhamento de expectativas. Já para os assets independentes, a sobrevivência depende da capacidade de gerar retornos que justifiquem o risco, sob pena de perder relevância no mercado.



