Uma nova sigla surgiu no vocabulário de Wall Street: MANGOS. O termo reúne seis empresas no centro da onda de inteligência artificial: Meta, Anthropic, Nvidia, Google, OpenAI e SpaceX. Investidores esperam que esse grupo impulsione o mercado de ações, mas o hype já mostra sinais de desaceleração.
Origem do termo MANGOS
Nos anos 1950, o industrial italiano Enrico Mattei cunhou o bordão “Sete Irmãs” para descrever gigantes de energia como Standard Oil e Texaco. Desde então, Wall Street adotou apelidos para empresas da moda: as “Nifty Fifty” dos anos 1960-70, os “Quatro Cavaleiros” do boom das pontocom, as ações “FAANG” da era das redes sociais e as “Sete Magníficas” pós-covid. Agora, as MANGOS despontam como a nova sensação.
Não está claro quem inventou o termo. O analista Vivek Arya, do Bank of America, usou “MANGOS” nos últimos dois anos, mas para descrever ações de fabricantes de chips — apenas a Nvidia coincide. A versão atual foi popularizada em 8 de junho por um engenheiro de software no X, sendo amplamente compartilhada por investidores de venture capital e tecnologia.
Composição e impacto no mercado
O grupo inclui Meta (Facebook), Anthropic, Nvidia, Google (Alphabet), OpenAI e SpaceX. A SpaceX fez história no mês passado com a maior oferta pública inicial (IPO) de todos os tempos, negociada acima de US$ 2 trilhões, impulsionada pelo entusiasmo de pequenos investidores e pela fé no CEO Elon Musk. Mais de uma dúzia de fundos foi criada em Wall Street para apostar a favor ou contra as MANGOS, embora Anthropic e OpenAI nem sequer tenham capital aberto.
“Os dados são claros”, disse Derek Horstmeyer, professor de finanças da Universidade George Mason. “Quando um termo é cunhado, é porque a tese já cumpriu seu ciclo.” Ele lembra que apenas uma das “Sete Irmãs” de Mattei, a Royal Gulf Shell, ainda opera independente com parte do nome original.
Riscos e desaceleração do hype
Desde a publicação que popularizou a sigla, a máquina de hype da IA perdeu embalo. Temores de sobreinvestimento em data centers, endividamento crescente, processamento computacional caro e concorrência derrubando preços afetaram as ações de Meta, Nvidia e Alphabet no mês passado. A SpaceX também despencou em relação às suas máximas.
Para que as MANGOS se mantenham firmes, as empresas precisarão demonstrar poder de permanência. Não há garantia de que alguma delas — muito menos todas — sobreviva e prospere. O mercado observa com cautela se o entusiasmo inicial se traduzirá em resultados sustentáveis.



