O JPMorgan reiterou recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para as ações da XP Inc. (BDR: XPBR31), destacando uma combinação atrativa de valorização potencial e retorno ao acionista. O preço-alvo para os papéis negociados na Nasdaq é de US$ 26, com potencial de alta de 61%; para o BDR negociado na B3, o alvo é de R$ 136, com upside de 64%.
Potencial de distribuição de capital e yield elevado
Segundo relatório assinado por Yuri Fernandes e equipe, o mercado pode estar subestimando a capacidade da XP de gerar retorno ao acionista via dividendos e recompras. Pelas estimativas do banco, a companhia pode distribuir entre R$ 5 bilhões e R$ 5,5 bilhões em capital excedente, o que implicaria um yield de aproximadamente 12% a 13% — um dos mais altos dentro da cobertura do JPMorgan.
Esse potencial é sustentado por uma posição de capital robusta. A XP opera com um índice de Basileia de cerca de 21% e tem meta de encerrar 2026 entre 16% e 19%, abrindo espaço para devolução de capital. Em diferentes cenários, o excesso de capital pode variar de R$ 2,5 bilhões a R$ 8 bilhões.
Cenário de juros e valuation atrativo
Mesmo com a manutenção do atual nível de juros, o JPMorgan avalia que o retorno ao acionista pode sustentar o desempenho das ações. Em um cenário mais favorável, com queda das taxas, a XP tende a se beneficiar adicionalmente, com crescimento de receitas e expansão da base de ativos sob custódia (AUC).
O valuation reforça a tese positiva: a ação negocia a cerca de 7 vezes o lucro estimado para 2027 e aproximadamente 1,6 vez o valor patrimonial, com retorno sobre patrimônio (ROE) ao redor de 23%. Para o banco, esse nível é baixo diante do potencial de geração de caixa e crescimento.
Riscos e posicionamento competitivo
O relatório destaca riscos como maior competitividade dos bancos tradicionais, desafios na expansão em crédito para PMEs, pressões sobre margens com aumento de investimentos operacionais e mudanças estruturais como produtos com taxa zero e ETFs, que podem reduzir o yield de receitas.
Ainda assim, o banco vê a XP bem posicionada no setor de investimentos no Brasil, com cerca de 17% de participação no mercado de AUC. Após ganhar espaço por vários anos, a companhia teve estabilização recente devido ao ambiente de juros elevados, que favoreceu produtos bancários tradicionais — cenário que pode se reverter com eventual flexibilização monetária. Na avaliação do JPMorgan, a combinação de valuation atrativo, forte geração de capital e potencial de distribuição elevada cria uma assimetria positiva para o papel, especialmente em comparação com outros nomes do setor financeiro na América Latina.



