JiveMauá mira novos leilões de rodovias e amplia aposta em infraestrutura
JiveMauá mira novos leilões de rodovias e amplia aposta

A JiveMauá, gestora de investimentos alternativos com patrimônio de R$ 28 bilhões, está de olho nos próximos leilões de rodovias como forma de expandir sua atuação no mercado de infraestrutura. A estratégia foi revelada por Bernardo Guterres, responsável por crédito estruturado e capital de solução na área de Distressed & Special Situations da gestora, durante entrevista à Broadcast+.

Mudança no cenário pós-Lava Jato

Segundo Guterres, o ambiente para investidores melhorou significativamente após a Operação Lava Jato. “Os novos editais trouxeram muito mais mitigação de risco para o investidor”, afirmou. Com a saída de diversos participantes do mercado devido às denúncias de corrupção, o governo reequilibrou a balança de riscos, atraindo novos agentes financeiros. Gestoras como Patria, Perfin, Brookfield e instituições como XP e BTG passaram a acompanhar de perto o setor.

“Queremos estar presente em leilões onde vamos conseguir ter algum diferencial”, destacou o executivo da Jive. Um dos próximos alvos é a chamada Rota do Pequi, em Goiás, cujo leilão está previsto para até o final de 2026. A iniciativa demonstra o apetite da gestora por ativos rodoviários, que considera essenciais para a logística do agronegócio brasileiro.

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Estratégia diversificada: situações especiais e investimento puro

O sócio e chefe da área de Distressed & Special Situations da JiveMauá, Bruno Gomes, explicou que a ofensiva em rodovias inclui tanto operações classificadas como situações especiais quanto investimento puro via participação em leilões. Para isso, a gestora estuda a criação de novos fundos e a busca de parceiros entre operadoras do setor, além de outras estruturas de investimento.

A Jive já possui experiência no segmento. Recentemente, tornou-se proprietária de 80% da Rota Verde Goiás, concessão estratégica para o escoamento da produção agrícola, que fatura R$ 500 milhões por ano. Diferentemente de um leilão tradicional, a entrada se deu por meio de uma complexa reorganização societária realizada às pressas.

Reorganização societária da Rota Verde Goiás

A Azevedo & Travassos, anteriormente dona da concessão e comprada pela Reag, precisou sair do negócio após o envolvimento da controladora na Operação Carbono Oculto da Polícia Federal. Com os problemas enfrentados pelo Banco Master, a Reag desvinculou-se da Azevedo, e o próximo passo foi retirar a empresa da concessão.

A estrutura montada pela Jive permitiu a saída da Azevedo da Rota Verde, convertendo o crédito concedido no leilão em uma participação acionária de 80%, em um negócio avaliado em R$ 320 milhões. Os 20% restantes permanecem com a construtora Tecpav. “A Rota Verde abre uma janela muito importante de investimento para a Jive”, afirmou Guterres.

Perspectivas para o setor de infraestrutura

A movimentação da JiveMauá reflete uma tendência de maior participação de investidores financeiros em concessões de infraestrutura no Brasil. Com a melhora na estrutura dos editais e a redução de riscos regulatórios e operacionais, o mercado tem se tornado mais atrativo. A gestora, que administra R$ 28 bilhões em ativos, busca diversificar sua carteira e ampliar seu portfólio em ativos reais.

A Rota do Pequi, em Goiás, deve ser o próximo grande projeto analisado pela equipe. A concessão, com prazo de 30 anos, prevê investimentos em duplicação e manutenção de rodovias estratégicas para o estado. A participação da Jive dependerá da capacidade de agregar valor e da viabilidade econômica do negócio.

Esta reportagem foi publicada na Broadcast+ no dia 24/07/2026, às 16:21. A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro, com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar a tomada de decisão.

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