Renda fixa: IPCA+ lidera recomendações de julho com juro real elevado
IPCA+ lidera recomendações de renda fixa em julho

O início do ciclo de corte de juros costuma acender um alerta no investidor de renda fixa: se a Selic vai cair, a janela para garantir as taxas mais altas tende a se fechar. Esse é o pano de fundo das recomendações dos principais bancos e corretoras neste começo de julho. No mês passado, o Copom cortou a Selic para 14,25% ao ano, mas os juros nominais e reais seguem em patamar historicamente elevado. A taxa da NTN-B de 2035, usada como referência de juro real, avançou de 7,72% no fim de maio para 8,14% em junho, pressionada pela inflação ainda resistente e pelas incertezas fiscais que seguram a ponta longa da curva. O nível atual de juro real só encontra paralelo na crise de 2008.

IPCA+, a estrela do mês

O bloco de inflação concentra o maior número de indicações e as teses mais fortes. A ideia é aproveitar taxas reais próximas de 7% ao ano acrescidas do IPCA, num momento em que boa parte das casas prefere alongar prazo para capturar o prêmio, ainda que isso aumente a oscilação do preço no meio do caminho. A debênture da Ecovias Raposo Castelo (CERT11) lidera a lista pela combinação de taxa alta e prazo mais curto. O papel oferece IPCA mais 8,15% e conta com fiança da Ecorodovias Concessões, num setor de rodovias que a XP descreve como resiliente e com histórico de geração de caixa. Por ser incentivada, é isenta de Imposto de Renda, o que equivale a IPCA mais 10,23% em um título tributado.

A Energisa (ENGIB9), que paga IPCA mais 7,55%, entra pela previsibilidade da distribuição de energia, com receita regulada e reajuste anual pela inflação. Na mesma toada aparecem a Sabesp (SBSPI8), com IPCA mais 7,05%, sustentada pela posição de maior companhia de saneamento do país e pelo potencial destravamento de valor com a privatização, e a Equatorial Goiás, único emissor recomendado por duas casas ao mesmo tempo, BB e BTG, apoiado na fiança da holding Equatorial Energia e no processo de recuperação da distribuidora.

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Prefixados para quem acredita na queda dos juros

Os prefixados aparecem em menor peso, com as casas pedindo cautela diante da volatilidade da curva, mas reconhecendo taxas atrativas para quem tem horizonte mais longo. O CDB do Banco C6 paga 14,80% e conta com a cobertura do FGC, além da presença do JP Morgan como acionista minoritário do banco. A debênture da Coelba (CEEBD1), com fiança da Neoenergia, rende 13,50% na modalidade prefixada e isenta, o equivalente a 15,17% em um papel tributado.

Pós-fixados como colchão

Mesmo com a Selic em queda, o carrego dos pós-fixados segue elevado, e as casas os mantêm para reserva e gestão de caixa. O Tesouro Selic 2029 é a indicação da XP para liquidez, por acompanhar a taxa básica e variar pouco. Já o CDB do PicPay, que paga 104,5% do CDI, adiciona um prêmio sobre o pós-fixado bancário e conta com FGC, apoiado no controlador J&F. Além do ranking, o BTG reforça o bloco de crédito privado com dois CRAs do agronegócio atrelados ao CDI, das companhias 3tentos e SLC Agrícola, enquanto a XP inclui pela primeira vez fundos de crédito na carteira, como Selection RF Light, SulAmérica Crédito Ativo, JGP Corporate e Riza Statheros, alternativa para quem tem menos patrimônio para diversificar.

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