Fundos macro decepcionam investidores no 1º semestre de 2026
Fundos macro frustram no 1º semestre de 2026

Os fundos multimercado com estratégia macro, conhecidos por buscar retornos absolutos independentemente do cenário, frustraram os investidores no primeiro semestre de 2026. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que o retorno médio da categoria foi de 4,2% no período, bem abaixo dos 5,8% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), referência para a renda fixa.

Desempenho abaixo do esperado

O resultado representa uma queda de 1,6 ponto percentual em relação ao CDI, o que gerou desconforto entre os cotistas. Segundo a Anbima, dos 127 fundos macro com mais de R$ 100 milhões em patrimônio líquido, apenas 23 conseguiram superar o CDI no semestre. Isso significa que mais de 80% dos fundos ficaram atrás do benchmark.

O desempenho foi pior do que no mesmo período de 2025, quando o retorno médio foi de 5,1% contra 5,5% do CDI. Na ocasião, a diferença foi de apenas 0,4 ponto percentual.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Volatilidade e cenário adverso

Gestores atribuem o resultado à alta volatilidade nos mercados globais, com destaque para a incerteza fiscal no Brasil e a política monetária nos Estados Unidos. “O cenário macroeconômico foi desafiador, com ruídos políticos e oscilações nas taxas de juros futuras”, afirma Carlos Alberto, sócio de uma gestora independente. “Muitas apostas direcionais não se concretizaram, e a proteção via derivativos consumiu parte do retorno.”

O Índice de Volatilidade (VIX) subiu 15% no semestre, refletindo o aumento do risco. No Brasil, a curva de juros de longo prazo teve alta de 0,5 ponto percentual, impactando negativamente posições compradas em títulos prefixados.

Impacto na captação e perspectivas

O mau desempenho já afeta a captação líquida dos fundos macro. Segundo a Anbima, o segmento registrou resgates líquidos de R$ 8,2 bilhões no primeiro semestre, ante captação positiva de R$ 3,1 bilhões no mesmo período de 2025. Os investidores têm migrado para fundos de crédito privado e renda fixa simples, que entregaram retornos mais alinhados ao CDI.

Para o segundo semestre, gestores esperam que a queda dos juros nos EUA e a aprovação de reformas no Brasil possam melhorar o ambiente para os fundos macro. No entanto, alertam que a categoria continua sujeita a alta imprevisibilidade. “O investidor precisa ter paciência e entender que o fundo macro não é um produto para todos os momentos”, ressalta Carlos Alberto.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar