Fluxo estrangeiro na B3 tem R$ 33,85 bi no 1º semestre, mas 2º tri registra saída recorde
Fluxo estrangeiro na B3: R$ 33,85 bi no 1º semestre

O primeiro semestre de 2026 foi marcado por dois movimentos opostos no fluxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira. No primeiro trimestre, houve uma das maiores entradas da série histórica desde 2022, enquanto o segundo trimestre registrou uma das maiores saídas. O saldo líquido de recursos internacionais destinados ao mercado acionário brasileiro, excluindo IPOs e follow-ons, alcançou R$ 33,85 bilhões entre janeiro e junho, segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria com dados da B3.

Desempenho Semestral e Comparações Históricas

O resultado representa o melhor desempenho semestral desde o segundo semestre de 2022, quando o ingresso líquido foi de R$ 48,92 bilhões. Considerando ofertas públicas de ações, o saldo positivo sobe para R$ 36,73 bilhões, também o maior desde a segunda metade de 2022. A série histórica da consultoria mostra que, desde janeiro de 2022, apenas dois semestres registraram saída líquida: o primeiro semestre de 2024 (retirada de R$ 40,12 bilhões) e o segundo semestre de 2025 (saldo negativo de R$ 980 milhões).

Primeiro Trimestre: Forte Entrada de Capital

No primeiro trimestre, a entrada líquida de recursos estrangeiros foi de R$ 53,36 bilhões, um dos maiores volumes trimestrais desde o início da série histórica em 2022. Esse movimento impulsionou o Ibovespa a sucessivos recordes, refletindo um cenário favorável para ativos brasileiros. Segundo analistas, os primeiros meses de 2026 reuniram fatores atrativos, como múltiplos baixos das ações brasileiras, expectativas de continuidade da redução da Selic, fluxo global para mercados emergentes, juros elevados, câmbio competitivo e valuations descontados.

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“O primeiro trimestre refletiu uma combinação extremamente favorável para o mercado brasileiro. A percepção de que a Bolsa estava barata em relação aos pares internacionais, somada à expectativa de melhora do ambiente macroeconômico doméstico, atraiu um fluxo relevante de investidores estrangeiros”, afirma Einar Rivero, da Elos Ayta.

Segundo Trimestre: Inversão e Saída Expressiva

Entre abril e junho, houve saída líquida de R$ 19,52 bilhões (excluindo IPOs e follow-ons), o segundo pior resultado trimestral desde 2022. Apenas o primeiro trimestre de 2024 teve retirada maior, com saldo negativo de R$ 22,90 bilhões. Considerando operações de mercado primário, o segundo trimestre fechou com retirada líquida de R$ 17,10 bilhões, o pior desempenho desde o início de 2024, indicando redução do apetite por risco dos investidores internacionais.

A mudança de cenário foi influenciada pelo aumento das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Oriente Médio, que elevou a aversão ao risco global. A valorização do petróleo reacendeu preocupações com inflação internacional, levando investidores a revisar expectativas para a política monetária dos EUA. No Brasil, discussões sobre política fiscal, dúvidas sobre a trajetória das contas públicas e mudanças nas expectativas para a velocidade de redução da Selic aumentaram a volatilidade. O contexto também favoreceu a realização de lucros após a forte valorização no início do ano.

Julho: Possível Desaceleração na Saída

No início de julho, os dados ainda são negativos, mas indicam possível desaceleração. Até 8 de julho, a saída foi de R$ 419,8 milhões, segundo números de negociação da B3 consultados pelo InfoMoney. Para comparação, estrangeiros retiraram R$ 7,04 bilhões em junho e R$ 13,2 bilhões em maio.

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