Os ETFs irlandeses, conhecidos como UCITS, estão ganhando espaço nas corretoras brasileiras, oferecendo menor tributação sobre dividendos, isenção do imposto sucessório americano e acesso a ativos globais. Desde julho de 2025, a Avenue já disponibilizava os fundos, e em junho deste ano a XP também liberou os produtos para clientes.
Crescimento expressivo e perfil dos investidores
Na Avenue, são 170 ETFs do tipo disponíveis, com crescimento médio de investidores de 23% ao mês. Alexandre Artmann, diretor de operações da empresa, afirma que a quantia destinada por brasileiros ao investimento internacional era pequena no passado. "Era o dinheiro do teste, que o investidor podia perder, mas essa realidade mudou", diz. Segundo ele, quem investe no exterior hoje tem perfil voltado à preservação do capital e aplica recursos mais elevados. "A demanda vem dos dois lados", observa, referindo-se tanto a investidores de alta renda quanto aos de menor renda com prazos alongados.
Vantagens tributárias e sucessórias
Em ETFs dos Estados Unidos, há retenção de imposto na fonte de 30% sobre dividendos para estrangeiros. A Irlanda, por acordo de bitributação com os EUA, reduz essa retenção para 15%. Assim, um ETF irlandês que investe em ações americanas preserva maior parcela dos dividendos. Muitos ETFs irlandeses são de acumulação, reinvestindo os dividendos, o que é mais eficiente no longo prazo. Além disso, escapam do imposto de herança dos EUA (Estate Tax), que pode chegar a 40%.
Comparação entre ETFs brasileiro, americano e irlandês
O ETF brasileiro (IVVB11) é negociado em reais na B3, sem necessidade de conta internacional. O americano (VOO) exige conta no exterior e sofre retenção de 30% sobre dividendos. O irlandês (CSPX) tem vantagens tributárias, mas também depende de conta internacional e custos com câmbio (IOF e spread).
Um estudo da Comdinheiro/Nelogica comparou os três ETFs que seguem o S&P 500, considerando aporte inicial de R$ 100 mil em 2014 e aportes mensais de R$ 5 mil até 2026. O saldo acumulado foi de R$ 3.474.743 no IVVB11, US$ 687.016 (R$ 3.551.532) no VOO e US$ 705.231 (R$ 3.645.691) no CSPX. A vantagem do CSPX foi de R$ 170.948 sobre o IVVB11 e R$ 94.159 sobre o VOO, sem considerar a vantagem sucessória. Gustavo Gukovas, diretor de Operações da Comdinheiro/Nelogica, avalia: "Mesmo com o IOF mais o spread, vale a pena comprar VOO em vez de IVVB11, desde que o investidor se policie para reinvestir os proventos."
Restrições regulatórias dos ETFs irlandeses
As taxas de administração dos ETFs irlandeses estão em linha com o mercado americano, segundo Anderson Moreira, head de Conteúdo da DEX. No entanto, há restrições impostas pelo arcabouço regulatório europeu, como a regra 5/10/40, que limita a concentração em poucas empresas. Cauê Mançanares, CEO da Investo, explica que estratégias agressivas, como ETFs de uma única ação ou fundos alavancados, não estão disponíveis. "Para o investidor que busca exposição diversificada como núcleo da carteira, essas restrições funcionam mais como uma camada de proteção", avalia.
Horário de negociação e perspectivas
Os ETFs irlandeses são negociados em bolsas europeias, com janela de negociação que vai das 4h às 12h30 (horário de Brasília), com after hours até as 17h na Avenue. Sabrina Fragomeni, head de vendas e desenvolvimento de negócios na Global X ETFs, destaca que o horário pode tornar o trabalho dos formadores de mercado mais desafiador, mas não costuma ser problema para investidores de longo prazo. Apesar das diferenças operacionais, especialistas consideram que os ETFs irlandeses devem continuar ganhando força entre investidores brasileiros devido à eficiência tributária e oferta variada de estratégias.



