ETF brasileiro rende 40% a mais que S&P 500 em 10 anos
ETF brasileiro rende 40% a mais que S&P 500 em 10 anos

Um fundo negociado na Bolsa brasileira, em reais, rendeu 40% a mais do que o próprio S&P 500 em dólar ao longo de dez anos. A conta é do gestor Leonardo Vasques, da XP Asset Management, e se refere ao SPXU11, que junta o índice das maiores empresas dos Estados Unidos a contratos futuros de câmbio montados no Brasil.

Produto pronto para o investidor comum

A ideia é entregar ao investidor comum um produto pronto. Montar sozinho essa posição “casada” — o índice mais a moeda — não é simples para a pessoa física, segundo o gestor. Outro fundo, o USPXH11, oferece o S&P 500 já com proteção contra a oscilação do dólar.

A conversa foi ao ar no podcast Carteiros do Condado, apresentado por Lucas Collazo e Davi Fontenele. Para o convidado, dá para acessar o mundo pela Bolsa daqui: do ouro ao S&P 500, passando até pelas criptomoedas, tudo em reais e num único produto.

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Limitações e reconhecimento das gigantes

“Um baita veículo”, resumiu Vasques sobre a estrutura criada pela casa. Ainda assim, ele reconhece os limites diante das gigantes internacionais. “Não tenho como fazer uma gestão melhor de S&P 500 do que a Vanguard ou a BlackRock“, admitiu, referindo-se às duas maiores gestoras do mundo.

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A aposta para os próximos dez anos

O patrimônio desses fundos vai crescer muito, garante o gestor. “Um por cento da indústria não faz sentido nenhum”, disse, sobre a fatia pequena que os ETFs ocupam hoje diante da poupança. Ele prevê avanço no crédito e a chegada de produtos livres de imposto.

Fontenele reforçou o argumento com uma provocação. “Para saber o que vai acontecer amanhã no Brasil, basta ler o noticiário de hoje dos Estados Unidos”, parafraseou, citando colegas de mercado. Por lá, as maiores gestoras já são as de fundos de índice.

Estudo Spiva mostra vantagem dos ETFs

Vasques trouxe um dado a favor da gestão que apenas acompanha o índice. Um estudo anual da S&P, o Spiva, mostra que só cerca de 10% dos gestores americanos superam o índice no longo prazo. No Brasil, o porcentual fica entre 10% e 20%. “Quem bate merece ser muito bem pago por isso”, ponderou. Mas o dinheiro que hoje migra para os ETFs, disse, é justamente o que estava com gestores que não superavam o índice — e cobravam taxas bem mais altas.

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O que vem por aí

Fontenele arriscou um cenário por tipo de aplicação. No crédito de menor risco e mais fácil de resgatar, os fundos comuns devem encolher, com quase toda a migração indo para os ETFs. Na bolsa, a oferta de índices tende a se multiplicar.

Ele acredita que, em dez anos, os ETFs possam superar a gestão ativa em tamanho. A busca por retornos acima da média, porém, deve seguir com peso maior nos fundos abertos, sobretudo nos multimercados.

A tendência, apontam os dois, é de um cardápio cada vez maior. Entre as novidades estão fundos com opções embutidas, já comuns no exterior e recém-chegados ao país. “Tem muita coisa que dá para ser feita”, concluiu Vasques.

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