Com a Selic mantida em 14,25% ao ano e o cenário fiscal ainda incerto, a estratégia de investimento para o segundo semestre de 2026 deve priorizar a renda fixa e a diversificação internacional, de acordo com analistas consultados pelo Valor.
Preferência por títulos públicos e crédito privado
Os especialistas recomendam alocar parcela significativa da carteira em títulos públicos indexados à inflação, como o IPCA+, e em debêntures de empresas sólidas. “O momento exige cautela, mas a renda fixa oferece retornos reais atrativos”, afirma Rafaela Santos, analista da XP Investimentos. Dados da Anbima mostram que a captação líquida em fundos de renda fixa somou R$ 45 bilhões no primeiro semestre.
Diversificação internacional como proteção
Para mitigar riscos cambiais e políticos, a recomendação é investir entre 10% e 20% do patrimônio em ativos no exterior, especialmente ETFs de ações americanas e bonds de curto prazo. “A diversificação geográfica reduz a volatilidade da carteira”, explica Carlos Menezes, gestor da Brasil Capital.
Renda variável com seletividade
Na bolsa, a preferência é por ações de empresas exportadoras e com baixo endividamento. O Ibovespa acumula queda de 8% no ano, mas setores como commodities e energia elétrica são vistos como oportunidades. “É hora de ser seletivo e evitar exposição excessiva a empresas domésticas”, alerta Menezes.
Perspectivas para o segundo semestre
A expectativa é de que a Selic permaneça elevada até o fim de 2026, mantendo a renda fixa como principal atração. A incerteza fiscal e as eleições presidenciais de outubro devem aumentar a aversão ao risco. “O investidor deve manter a disciplina e não tentar timing de mercado”, conclui Santos.



