Empresas captam na bolsa menor volume para investimentos em uma década
Empresas captam na bolsa menor volume em uma década

As empresas listadas na B3 captaram, no primeiro semestre de 2026, o menor volume de recursos destinados a investimentos em aproximadamente uma década. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que as ofertas públicas de ações (follow-ons) e debêntures voltadas a projetos somaram R$ 18,7 bilhões, queda de 34% ante o mesmo período de 2025.

Queda expressiva nas ofertas de ações

O segmento mais afetado foi o de ofertas de ações, que registraram apenas R$ 2,3 bilhões em follow-ons, o menor valor para um primeiro semestre desde 2016. Nenhuma empresa realizou oferta pública inicial (IPO) no período. A última vez que isso ocorreu foi em 2018, quando o mercado também enfrentava um cenário adverso.

Segundo a Anbima, a alta da taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano, e a volatilidade do mercado externo são os principais fatores que afastam as empresas da bolsa. “O custo de capital está muito elevado, e os investidores estão mais seletivos. As empresas preferem esperar um momento mais favorável para captar”, afirma José Eduardo Laloni, diretor da Anbima.

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Debêntures também perdem fôlego

As emissões de debêntures, embora ainda representem a maior parte das captações, somaram R$ 16,4 bilhões, queda de 28% em relação ao primeiro semestre de 2025. As debêntures incentivadas, voltadas a projetos de infraestrutura, tiveram redução de 22%, totalizando R$ 8,9 bilhões.

O setor de energia elétrica foi o que mais captou, com R$ 5,2 bilhões, seguido por logística e transportes (R$ 3,1 bilhões) e saneamento (R$ 2,4 bilhões). Apesar da queda geral, a demanda por papéis de infraestrutura permanece aquecida, segundo a Anbima.

Impacto nos investimentos produtivos

A redução das captações na bolsa preocupa especialistas, pois compromete o financiamento de projetos de expansão e modernização das empresas. “Sem acesso a capital de longo prazo, as companhias podem adiar investimentos essenciais, o que afeta a competitividade e o crescimento econômico”, alerta Carlos Antonio Rocca, diretor do Instituto de Finanças da FGV.

Dados do Banco Central indicam que a formação bruta de capital fixo (investimentos) no Brasil caiu 1,8% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o trimestre anterior. A expectativa de analistas é de que o cenário só melhore com a redução dos juros básicos, prevista para o segundo semestre.

Perspectivas para o segundo semestre

A Anbima projeta que o volume de captações no segundo semestre pode ser ligeiramente superior, com a possibilidade de corte na Selic a partir de agosto. No entanto, a recuperação deve ser gradual. “O mercado de capitais brasileiro ainda tem potencial, mas depende de um ambiente macroeconômico mais estável”, conclui Laloni.

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