A Empiricus Research, uma das principais casas de análise independente do Brasil, surpreendeu o mercado ao emitir um relatório recomendando a venda das ações do Banco do Brasil (BBAS3). A decisão ocorre logo após a instituição financeira divulgar uma nota pública em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, gerando controvérsia no meio político e econômico.
Contexto da recomendação
Na última segunda-feira, o Banco do Brasil publicou um comunicado oficial manifestando apoio a Lula, que é pré-candidato à Presidência da República. Na nota, o banco destacou a importância do ex-presidente para a história do país e rechaçou críticas que vinha recebendo por supostamente favorecer o petista. A atitude foi vista como incomum para uma empresa estatal, que tradicionalmente mantém neutralidade política.
A Empiricus reagiu rapidamente. Em relatório assinado pelo analista Matheus Spiess, a casa de análise classificou a postura do banco como “preocupante” e afirmou que a exposição política pode trazer riscos adicionais aos acionistas. “Acreditamos que a ingerência política no Banco do Brasil está se intensificando, o que pode comprometer a rentabilidade e a governança da instituição”, escreveu Spiess.
Impacto no mercado
As ações do Banco do Brasil já operam em queda desde o anúncio da recomendação. No fechamento do pregão de terça-feira, os papéis recuaram 2,3%, cotados a R$ 42,15. O volume negociado foi 30% superior à média dos últimos 30 dias, indicando forte movimentação de investidores.
Para a Empiricus, o valuation do banco está pressionado. O relatório aponta que a relação preço/lucro (P/L) está em 6,5 vezes, abaixo da média histórica, mas ainda assim considerada arriscada diante do cenário político. “O desconto atual não compensa o risco político que estamos vendo”, complementa o analista.
Reação do Banco do Brasil
Procurado, o Banco do Brasil não comentou diretamente a recomendação da Empiricus. Em nota oficial, a instituição reiterou que sua nota de apoio a Lula foi uma manifestação legítima de sua visão institucional e que não interfere nas análises de mercado. “O Banco do Brasil mantém sua política de transparência e diálogo com todos os públicos, sem que isso afete sua gestão profissional”, diz o texto.
Especialistas ouvidos pelo blog divergem sobre o impacto da recomendação. O economista Carlos Alberto Sardenberg, em sua coluna, criticou a postura do banco: “Estatal não tem que tomar partido. Isso enfraquece a credibilidade da instituição”. Já o professor de finanças da FGV, Ricardo Rocha, pondera: “O mercado reage a curto prazo, mas a fundamentos do banco continuam sólidos. A recomendação pode ser exagerada”.
Histórico de recomendações
A Empiricus já havia recomendado a compra das ações do Banco do Brasil em 2024, quando o banco apresentava resultados robustos e menor exposição política. A mudança de postura reflete a percepção de que o ambiente político está se deteriorando para a empresa.
Outras casas de análise, como a XP Investimentos e o Itaú BBA, ainda mantêm recomendação neutra para o papel. A XP, em relatório recente, destacou que o banco tem fundamentos sólidos, mas reconheceu que o risco político é um fator a ser monitorado.
Próximos passos
A Empiricus recomenda que investidores com posição comprada em BBAS3 vendam suas ações e busquem alternativas no setor financeiro, como os bancos privados Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4). A casa também sugere cautela com outras estatais que possam sofrer interferência política.
O mercado agora aguarda os próximos balanços do Banco do Brasil, previstos para agosto, para avaliar se a polêmica política terá impacto nos resultados financeiros. Até lá, a recomendação da Empiricus deve continuar pressionando os papéis.



