Uma análise de 15 anos de dados do Ibovespa, do Índice Dividendos (IDIV) e do S&P 500 revela que a estratégia de comprar na alta pode, surpreendentemente, gerar retornos positivos no longo prazo. O estudo, conduzido por especialistas de mercado, mostra que investidores que adquiriram ativos nos picos históricos obtiveram ganhos significativos quando mantidos por períodos prolongados.
Metodologia e resultados principais
A pesquisa comparou o desempenho de três índices: o Ibovespa, principal referência da Bolsa brasileira; o IDIV, que reúne as ações com maiores dividendos; e o S&P 500, índice americano. Foram considerados os momentos de alta, definidos como os 10% maiores níveis de cada índice em janelas móveis de 12 meses. Os retornos foram medidos após 1, 3, 5 e 10 anos.
Os resultados indicam que, para o Ibovespa, comprar na alta gerou retorno médio de 8,2% ao ano em 10 anos, contra 6,5% para compras em qualquer momento. No IDIV, a diferença foi ainda maior: 11,4% ao ano contra 9,1%. Já no S&P 500, a estratégia rendeu 12,1% ao ano, versus 10,8% da média geral.
Por que comprar na alta pode funcionar?
Segundo os analistas, o fenômeno ocorre porque os picos geralmente refletem momentos de otimismo econômico e fluxo de capitais, que tendem a se sustentar. “O mercado sobe mais do que desce no longo prazo, e os períodos de alta são seguidos por tendências de continuidade”, explica o economista-chefe de uma corretora, que preferiu não ser identificado. No entanto, ele alerta: “Isso não elimina o risco de correções; a estratégia exige paciência e horizonte longo.”
Impactos para investidores brasileiros
A descoberta tem implicações diretas para quem investe na Bolsa. Muitos investidores evitam comprar em máximas por medo de quedas, mas o estudo sugere que o custo de esperar pode ser maior. “Perder os melhores dias do mercado reduz drasticamente o retorno acumulado”, afirma um gestor de recursos. Dados mostram que, se um investidor tivesse ficado fora do Ibovespa nos 10 melhores dias dos últimos 15 anos, o ganho total cairia de 120% para 45%.
Limitações e cuidados
Apesar dos resultados positivos, os especialistas ressaltam que a estratégia não é isenta de riscos. Comprar na alta pode expor o investidor a bolhas setoriais, como ocorreu com ações de tecnologia em 2020. Além disso, o desempenho passado não garante futuro. A recomendação é diversificar e considerar o momento do ciclo econômico.
Para o mercado brasileiro, o Ibovespa acumula alta de 15% em 2025, mas as incertezas fiscais e políticas geram cautela. O IDIV, por sua vez, se beneficia da busca por dividendos em meio à queda da Selic. Já o S&P 500 reflete a resiliência da economia americana, com destaque para inteligência artificial.
Conclusão
A análise de 15 anos indica que comprar na alta não é necessariamente prejudicial, desde que o investidor tenha disciplina e visão de longo prazo. Para quem busca referências, o Ibovespa, o IDIV e o S&P 500 oferecem exemplos claros de que timing perfeito é menos importante que permanecer investido.



