O mercado acionário americano testemunha uma mudança significativa na alocação de recursos, com investidores reduzindo posições em empresas de inteligência artificial (IA) e migrando para setores tradicionais, como saúde, energia e bens de consumo. De acordo com um relatório do Goldman Sachs divulgado nesta quarta-feira, o movimento reflete uma cautela crescente quanto ao retorno dos investimentos em IA, que haviam impulsionado o S&P 500 nos últimos trimestres.
Dados do Goldman Sachs apontam realocação de US$ 15 bilhões
O banco de investimentos estima que cerca de US$ 15 bilhões foram realocados de fundos focados em tecnologia e IA para setores defensivos nas últimas duas semanas. O estrategista-chefe do Goldman Sachs, David Kostin, afirmou que "a euforia inicial com a IA está dando lugar a uma análise mais criteriosa dos fundamentos". O índice S&P 500 registrou queda de 1,2% no período, enquanto o setor de tecnologia perdeu 3,5%.
Setores tradicionais ganham espaço
Os setores de saúde, energia e bens de consumo básico apresentaram ganhos médios de 2,1% no mesmo intervalo. A rotação é vista como uma busca por segurança diante de incertezas macroeconômicas, como a possibilidade de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve. "Os investidores estão reavaliando o valuation elevado das empresas de IA, que não se traduziu em lucros proporcionais", explicou Kostin.
Impacto nas big techs
As ações das grandes empresas de tecnologia, como Nvidia, Microsoft e Alphabet, sofreram quedas entre 4% e 6% na última semana. A Nvidia, que havia subido mais de 200% no último ano, viu seu valor de mercado encolher em aproximadamente US$ 200 bilhões. A Microsoft, por sua vez, reportou desaceleração no crescimento de sua divisão de nuvem, o que contribuiu para a percepção de que os ganhos com IA podem demorar mais a se materializar.
Perspectivas para o S&P 500
Apesar da rotação, o Goldman Sachs mantém a projeção de que o S&P 500 fechará o ano em 5.600 pontos, o que representa uma alta de cerca de 5% em relação ao nível atual. No entanto, o banco alerta que a volatilidade deve persistir enquanto o mercado ajusta suas expectativas. "A rotação setorial é saudável para o mercado de longo prazo, mas pode gerar correções no curto prazo", concluiu Kostin.



