Captação de empresas na bolsa tem menor volume em 10 anos
Captação na bolsa tem menor volume em 10 anos

As empresas brasileiras captaram apenas R$ 12,3 bilhões na B3 no primeiro semestre de 2026, o menor volume para o período em pelo menos 10 anos. O número representa uma queda de 45% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram captados R$ 22,4 bilhões. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Juros altos afastam investidores

O principal motivo para a retração é a manutenção da taxa Selic em patamares elevados, atualmente em 14,25% ao ano. Com juros altos, os investidores preferem aplicações de renda fixa, mais seguras e com boa rentabilidade, reduzindo o apetite por ações e ofertas de renda variável. Segundo a Anbima, o volume de ofertas de ações (follow-ons) caiu 52%, para R$ 6,8 bilhões, enquanto as ofertas iniciais (IPOs) somaram apenas R$ 1,5 bilhão, ante R$ 3,2 bilhões no primeiro semestre de 2025.

Incertezas políticas e econômicas pesam

Além dos juros, a incerteza política e fiscal também contribuiu para o baixo volume de captações. O presidente da Anbima, Carlos Ambrósio, afirmou: "O mercado de capitais reflete o cenário macroeconômico. Enquanto não houver clareza sobre o rumo da política fiscal e a trajetória da dívida pública, as empresas vão adiar suas decisões de captação." O número de ofertas registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) caiu 30% no período, para 18 operações.

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Setores mais afetados

Os setores de consumo, varejo e tecnologia foram os mais impactados, com redução de 60% nas captações em relação ao ano anterior. O setor financeiro, que tradicionalmente lidera as ofertas, também recuou, mas em menor proporção: queda de 25%. A Anbima projeta que o segundo semestre pode ser ainda mais fraco, com a expectativa de manutenção da Selic e a proximidade das eleições presidenciais de 2026, que tende a aumentar a aversão ao risco.

Comparação histórica

O volume de R$ 12,3 bilhões é o menor desde 2016, quando as empresas captaram R$ 10,8 bilhões no primeiro semestre. Naquele ano, o Brasil passava por um processo de impeachment e a economia estava em recessão. A Anbima destaca que, mesmo com a melhora gradual da economia em 2025, o mercado de capitais ainda não se recuperou. "Precisamos de um ambiente de maior previsibilidade para que as empresas voltem a buscar a bolsa como fonte de financiamento", concluiu Ambrósio.

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