A nova autuação da Receita Federal contra o Grupo Mateus (GMAT3), no valor de R$ 1,28 bilhão, tende a ser vista de forma negativa pelo mercado no curto prazo, segundo analistas, principalmente por reforçar o risco fiscal associado à companhia.
Segunda autuação em menos de um ano
Em 2024, o Grupo Mateus já havia sido autuado pela Receita Federal no valor de R$ 1,059 bilhão, em cobrança referente ao Armazém Mateus, uma das empresas controladas pelo grupo do ramo de atacarejo. Somando os dois processos, as autuações podem alcançar cerca de 30% do valor de mercado do Grupo Mateus.
Reação do JPMorgan
O JPMorgan avaliou o caso mais recente como negativo para o papel, destacando que a nova autuação reforça a percepção de maior risco fiscal para o grupo. Segundo o banco, o valor potencial da cobrança representa cerca de 15% do valor de mercado da companhia. O relatório também ressalta que a Receita Federal volta a questionar a metodologia de aproveitamento dos créditos presumidos de ICMS no cálculo de tributos federais, prática que já havia sido alvo de disputa anterior.
Processo ainda em fase inicial
Apesar disso, o JPMorgan observa que o processo ainda está em fase administrativa e pode se estender por anos, com possibilidade de discussão judicial e eventuais negociações. Ainda assim, avalia que o histórico do caso e a maior agressividade fiscal indicam potencial pressão sobre as ações no curto prazo.
XP Investimentos vê risco jurídico
A XP Investimentos considera o desdobramento como negativo, pois adiciona um risco jurídico relevante e um fator de overhang fiscal à tese, ainda que não deva ter impacto de caixa no curto prazo, dado o processo administrativo e a potencial longa discussão judicial à frente.
Bradesco BBI mantém recomendação de compra
O Bradesco BBI, por sua vez, destaca que a notificação de infração de R$ 1,28 bilhão é relevante, embora não tenha impacto imediato no fluxo de caixa e não acione provisões neste momento. O BBI espera uma reação negativa do mercado e aumento da volatilidade das ações no curto prazo, visto que novas notícias adicionam mais uma camada de incerteza à tese de investimento. Os analistas do banco, contudo, mantiveram recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 9.



