Apenas cinco fundos multimercados conseguiram superar o CDI no acumulado de 2026, um desempenho que chama a atenção em um universo de centenas de produtos. O levantamento exclusivo mostra que esses fundos compartilham características comuns: baixa exposição a juros longos, uso intensivo de estratégias de arbitragem e gestão ativa de riscos.
O que os fundos vencedores têm em comum
Os cinco fundos que bateram o CDI no ano têm, em média, 70% do patrimônio alocado em ativos atrelados ao CDI ou pós-fixados. Eles evitam posições compradas em taxas de juros prefixadas, que sofreram com a volatilidade do mercado. Além disso, todos utilizam derivativos para proteção cambial e exposição tática a ações.
Segundo o relatório da XP Research, esses fundos também têm baixa correlação com o Ibovespa, o que os protegeu nas quedas recentes da bolsa. "A chave foi a disciplina na gestão de risco e a capacidade de migrar rapidamente entre classes de ativos", afirma um gestor consultado.
Desempenho no ano e perspectivas
O CDI acumula alta de aproximadamente 13,5% no ano, enquanto os cinco fundos registraram retornos entre 14% e 16%. A diferença, embora modesta, é significativa em um cenário de juros elevados e incerteza fiscal.
Para o segundo semestre, os gestores desses fundos indicam cautela com a renda fixa prefixada e preferência por títulos indexados ao CDI. "O mercado ainda precifica riscos fiscais, e a Selic deve permanecer em patamar elevado por mais tempo", diz um analista da XP.
Impacto para o investidor
Para o investidor pessoa física, a dificuldade de encontrar fundos que superem o CDI reforça a importância de diversificar e buscar gestores com histórico consistente. A XP recomenda que o investidor avalie não apenas o retorno, mas também a volatilidade e o risco de cada fundo.
"Não adianta buscar apenas o maior retorno; é preciso entender o risco embutido", alerta o especialista. A maioria dos fundos multimercados amarga rentabilidade abaixo do CDI no ano, o que torna os cinco vencedores exceções relevantes.



