5 fundos multimercados batem CDI no ano; veja o que eles têm em comum
5 fundos multimercados batem CDI no ano; veja o que têm em comum

Em um ano desafiador para a indústria de fundos, apenas cinco multimercados conseguiram superar o CDI nos primeiros meses de 2026. O desempenho mediano do segmento, que reúne estratégias sofisticadas, ficou abaixo do benchmark, mas alguns gestores se destacaram ao combinar exposição cambial, posições em juros reais e alocações no exterior.

O que os fundos vencedores têm em comum?

Os cinco fundos que bateram o CDI compartilham características como baixa correlação com o Ibovespa, uso intenso de derivativos e mandatos flexíveis. Segundo analistas, a capacidade de migrar rapidamente entre ativos locais e globais foi crucial em um cenário de volatilidade cambial e ruídos fiscais.

Entre os destaques, estão fundos que mantiveram posições compradas em dólar e aplicaram em títulos públicos indexados à inflação. “A combinação de proteção cambial com exposição a juros reais longos explicou boa parte do retorno”, afirma um gestor consultado.

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Desempenho mediano do setor

Dados da Anbima mostram que, no acumulado do ano até junho, o CDI rendeu cerca de 6,5%, enquanto a média dos multimercados ficou em 5,8%. A diferença, embora pequena, reflete a dificuldade de gerar alpha em um ambiente de juros elevados e incerteza fiscal.

“O CDI continua sendo um benchmark duro de bater para a maioria dos fundos, especialmente quando a Selic está em dois dígitos”, comenta um especialista. Apenas 5 dos mais de 200 fundos multimercados com patrimônio acima de R$ 100 milhões conseguiram superar o indicador.

Estratégias vencedoras

Os fundos que bateram o CDI adotaram, em geral, posições táticas em moedas, juros e commodities. Um deles, por exemplo, lucrou com a alta do petróleo e a valorização do dólar frente ao real. Outro apostou em títulos do Tesouro americano e em bonds emergentes.

A exposição internacional foi um diferencial importante. Enquanto a Bolsa brasileira oscilou, ativos globais como S&P 500 e ouro proporcionaram ganhos. “Quem não diversificou para fora sofreu com a volatilidade local”, explica um analista.

Perspectivas para o segundo semestre

Para o restante do ano, gestores avaliam que o CDI continuará sendo um piso difícil de superar. A expectativa de manutenção da Selic em patamar elevado e a incerteza fiscal devem manter o cenário desafiador. No entanto, oportunidades em renda fixa privada e em ativos indexados à inflação podem ajudar alguns fundos a se destacar.

“O mercado de crédito privado, especialmente debêntures incentivadas e CRIs, oferece spreads atrativos e pode ser uma fonte de retorno adicional”, afirma um especialista. A tendência é que os multimercados que conseguirem navegar entre a renda fixa local e o exterior continuem liderando o ranking.

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