Em um ano desafiador para a indústria de fundos multimercados, apenas cinco produtos conseguiram superar o CDI nos primeiros meses de 2026. O levantamento, realizado pela plataforma de investimentos XP, mostra que a maioria dos fundos da categoria sofre com a volatilidade dos juros e a aversão ao risco global.
O que os fundos vencedores têm em comum
Segundo a XP, os cinco fundos que bateram o CDI compartilham características como exposição a moedas estrangeiras, posições em juros reais e alocação em crédito privado de alta qualidade. Além disso, todos mantiveram baixo beta em relação ao Ibovespa, evitando o impacto da queda da Bolsa.
“Esses gestores conseguiram navegar o cenário de juros altos e incerteza fiscal com posições defensivas e oportunidades táticas no câmbio”, afirma analista da XP.
Desempenho do mercado em 2026
O CDI acumula alta de aproximadamente 3,5% no ano, enquanto o Ibovespa apresenta queda próxima de 2%. A maioria dos multimercados registrou retornos entre 1% e 2,5%, ficando abaixo do benchmark. O cenário de guerra comercial entre EUA e Irã e a desaceleração da China pressionam ativos de risco.
“O multimercado brasileiro enfrenta um dos piores anos da sua história recente. Apenas 5% dos fundos entregam retorno acima do CDI”, destaca relatório da Morningstar.
Perspectivas para o segundo semestre
Analistas esperam que a manutenção da Selic em patamar elevado e a volatilidade cambial continuem desafiando os gestores. A recomposição de posições em renda fixa indexada à inflação e a redução de exposição a Bolsa podem ser diferenciais para o segundo semestre.
“O investidor deve buscar fundos com histórico de gestão ativa e que demonstrem capacidade de gerar alpha mesmo em cenários adversos”, orienta o especialista.



