O valor médio do transporte rodoviário de cargas no Brasil registrou alta de 20% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com levantamento da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística). O aumento reflete a elevação dos custos operacionais, especialmente combustíveis e pedágios.
Principais fatores do aumento
Segundo a NTC&Logística, o diesel representou o principal componente de alta, com acréscimo de 18% no período. Os pedágios também contribuíram significativamente, com reajuste médio de 12%. Além disso, os custos com manutenção de veículos e pneus subiram 15% e 10%, respectivamente.
O presidente da NTC&Logística, Francisco Pelúcio, afirmou que “a cadeia logística brasileira enfrenta um cenário desafiador, com pressões inflacionárias que impactam diretamente o frete”. Ele destacou que o setor teme uma desaceleração da economia caso os custos continuem subindo.
Impacto sobre a economia
O aumento do custo do transporte pressiona os preços finais de diversos produtos, contribuindo para a inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) já acumula alta de 4,5% nos últimos 12 meses até maio, com o grupo transportes pesando 1,2 ponto percentual.
Especialistas apontam que o repasse ao consumidor deve ocorrer nos próximos meses, especialmente em alimentos e materiais de construção. A NTC&Logística estima que o frete médio deve permanecer elevado até o final de 2026, com possibilidade de novos reajustes caso o dólar continue valorizado.
Reação do governo
O Ministério dos Transportes informou, em nota, que acompanha a evolução dos custos e estuda medidas para mitigar os impactos, como a prorrogação de descontos no diesel e a ampliação de investimentos em infraestrutura. No entanto, não há previsão de novas intervenções no curto prazo.
Para o segundo semestre, a NTC&Logística projeta estabilidade nos preços, mas alerta que a volatilidade cambial e as condições climáticas podem gerar novas pressões. O setor aguarda a definição da política de preços da Petrobras para o diesel, que deve ser anunciada em agosto.



