Pela terceira semana consecutiva, o mercado financeiro reduziu a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2026. De acordo com o Relatório Focus do Banco Central, a mediana das expectativas para o IPCA em 2026 caiu para 4,00%, ante 4,02% na semana anterior. Apesar da queda, o índice ainda supera o centro da meta de inflação, que é de 3,00%.
Projeções para 2025 e 2027 também recuam
Para 2025, a projeção do IPCA também apresentou leve recuo, passando de 5,58% para 5,55%. Já para 2027, a mediana das expectativas caiu de 3,70% para 3,68%. As projeções para 2028 e 2029 permaneceram estáveis em 3,60% e 3,50%, respectivamente.
O movimento de queda nas expectativas de inflação reflete, em parte, a desaceleração da atividade econômica e a política monetária contracionista do Banco Central, que manteve a taxa Selic em 14,25% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
PIB e câmbio: expectativas divergem
Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o mercado manteve a projeção de crescimento de 2,00% para 2025, mas elevou a estimativa para 2026 de 1,50% para 1,60%. Para o câmbio, a projeção do dólar ao final de 2025 permaneceu em R$ 5,90, enquanto para 2026 a estimativa subiu de R$ 6,00 para R$ 6,05.
O Relatório Focus também mostrou que a projeção para a taxa Selic no fim de 2025 foi mantida em 15,00%, e para 2026 permaneceu em 12,50%. As expectativas para a dívida líquida do setor público em relação ao PIB foram ajustadas para cima: de 67,50% para 67,70% em 2025, e de 70,00% para 70,45% em 2026.
Metas de inflação e cenário fiscal
As metas de inflação definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) são de 3,00% para 2025 e 2026, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, a inflação pode variar entre 1,50% e 4,50% sem que a meta seja formalmente descumprida. Para 2026, a projeção de 4,00% está dentro do limite superior da meta, mas ainda acima do centro.
O mercado segue atento ao cenário fiscal, com incertezas sobre o cumprimento do arcabouço fiscal e os impactos das despesas obrigatórias sobre as contas públicas. A redução nas projeções de inflação pode dar algum alívio ao Banco Central, mas a instituição já sinalizou que manterá a Selic em patamar elevado por mais tempo para garantir a convergência da inflação para a meta.



