Pela segunda semana consecutiva, o mercado financeiro reduziu a estimativa de inflação para 2023, de 5,30% para 5,16%. A revisão veio após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho registrar variação de apenas 0,16%, metade do esperado pelos analistas.
IPCA surpreende e influencia projeções
O resultado do IPCA de junho ficou bem abaixo das expectativas do mercado, que projetava alta de 0,32%. A surpresa positiva levou os economistas a reverem suas projeções para o ano. Segundo Marcela Kawauti, economista-chefe da XP Investimentos, a estabilidade do preço do petróleo entre US$ 70 e US$ 80 o barril, mesmo com as tensões entre Estados Unidos e Irã, foi um dos fatores que contribuíram para a revisão.
"A manutenção do petróleo em patamares relativamente baixos, apesar do risco geopolítico, ajudou a conter pressões inflacionárias, especialmente nos combustíveis", explicou Kawauti.
Projeções para 2027 e PIB
Apesar da melhora no curto prazo, a expectativa de inflação para 2027 subiu de 4,15% para 4,20%, indicando que o mercado ainda vê riscos de médio prazo. Já a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2023 se manteve estável em 1,99%, sem alterações significativas.
Os dados fazem parte do Boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, que reúne as projeções de cerca de 100 instituições financeiras. A pesquisa mostrou também que a mediana das expectativas para a taxa Selic ao final de 2023 permaneceu em 13,75%.
Impacto nas decisões de política monetária
A redução da estimativa de inflação pode influenciar as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom). Com a inflação mais baixa, aumenta a possibilidade de cortes na taxa básica de juros ainda neste ano. No entanto, o mercado segue cauteloso, monitorando os efeitos da política fiscal e do cenário externo.
Para o economista-chefe do Banco Original, Marco Caruso, "a surpresa baixista do IPCA de junho abre espaço para o Copom iniciar um ciclo de afrouxamento monetário, mas é preciso confirmar a tendência nos próximos meses".



