O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,16% em junho, resultado inferior ao esperado pelo mercado, que projetava variação de 0,20% a 0,25%. O dado reforça as apostas de que o Banco Central poderá iniciar um ciclo de cortes na taxa Selic já na reunião de agosto.
Inflação acumulada em 12 meses fica em 3,16%
Com o resultado de junho, o IPCA acumulado em 12 meses atingiu 3,16%, dentro da meta de inflação perseguida pelo BC, que é de 3,25% com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O índice de junho ficou abaixo do teto da meta, o que dá margem para o Copom reduzir os juros.
O mercado financeiro já precifica uma probabilidade elevada de corte de 0,50 ponto percentual na Selic, atualmente em 13,75% ao ano, para 13,25% na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, nos dias 1º e 2 de agosto.
Alívio nos preços de alimentos e transportes
A desaceleração do IPCA em junho foi puxada principalmente pela queda nos preços de alimentos e transportes. O grupo Alimentação e Bebidas recuou 0,12%, com destaque para a redução nos preços do leite longa vida (-3,21%) e do frango em pedaços (-1,45%). Já o grupo Transportes caiu 0,18%, influenciado pela queda de 0,78% nos preços da gasolina.
Por outro lado, os grupos Habitação (0,73%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,42%) pressionaram o índice para cima, com altas nos preços de energia elétrica residencial (1,28%) e medicamentos (0,89%).
Petróleo mantém alerta para inflação futura
Apesar do dado positivo para a inflação corrente, o mercado segue atento ao comportamento do petróleo no mercado internacional. A commodity acumula alta de mais de 10% nas últimas semanas, o que pode pressionar os preços dos combustíveis e, consequentemente, a inflação nos próximos meses. Esse fator é um dos principais riscos para a trajetória de queda dos juros.
O economista-chefe de uma grande corretora, que preferiu não ser identificado, afirmou que "o IPCA fraco de junho é um alívio, mas o petróleo em alta pode impedir cortes mais agressivos na Selic. O BC deve manter a cautela".
Expectativas para a reunião do Copom em agosto
A maioria dos analistas consultados pela pesquisa Focus do Banco Central aposta em um corte de 0,50 ponto percentual na Selic em agosto, mas há quem defenda uma redução menor, de 0,25 ponto, diante das incertezas externas. O comunicado da última reunião do Copom indicou que a decisão será dependente dos dados de inflação e da atividade econômica.
O IPCA de junho veio abaixo do piso das expectativas de mercado, que variavam entre 0,18% e 0,27%. O índice ficou mais próximo do centro da meta, reforçando a narrativa de que a inflação está sob controle e abrindo espaço para o afrouxamento monetário.



