Inflação pelo IPCA no 1º semestre é a maior em 4 anos
Inflação no 1º semestre é a maior em 4 anos

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 3,76% no primeiro semestre de 2026, o maior resultado para o período desde 2022, quando a inflação semestral foi de 5,49%. O dado foi divulgado nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Tomate e gasolina puxam alta

Dois itens se destacaram como os principais responsáveis pela aceleração inflacionária: o tomate e a gasolina. O preço do tomate subiu 42,3% no semestre, enquanto a gasolina registrou aumento de 12,1%. Segundo o IBGE, esses dois produtos responderam por cerca de 0,8 ponto percentual da inflação total do período.

“O tomate foi fortemente impactado por questões climáticas, com chuvas excessivas em regiões produtoras, reduzindo a oferta e elevando os preços. Já a gasolina reflete os reajustes da Petrobras e a alta do petróleo no mercado internacional”, explicou o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

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Alimentos e transportes pressionam

O grupo Alimentos e Bebidas acumulou alta de 4,5% no semestre, com destaque para o tomate, a cenoura (alta de 38,7%) e o café moído (alta de 10,2%). Já o grupo Transportes subiu 4,1%, puxado pela gasolina e pelo etanol (alta de 8,4%).

“A inflação de alimentos tem sido persistente, e a entressafra de alguns produtos agrícolas contribui para a pressão. No caso dos transportes, a gasolina é um item de peso na cesta do consumidor e seu aumento impacta diretamente o custo de vida”, afirmou Kislanov.

Inflação acumulada em 12 meses

No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA chegou a 4,92%, acima do centro da meta de 3,5% e próximo ao teto do sistema de metas, que é de 5,5%. Em junho, o índice mensal foi de 0,56%, ante 0,43% em maio.

“A inflação acumulada em 12 meses ainda está dentro do intervalo de tolerância, mas preocupa o ritmo de aceleração. O Banco Central deve manter a taxa Selic em patamar elevado para conter as pressões”, avaliou o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale.

Perspectivas para o segundo semestre

Para o segundo semestre, as expectativas são de arrefecimento da inflação de alimentos, com a normalização da safra, mas os preços administrados, como energia elétrica e combustíveis, podem manter a inflação em níveis elevados. O mercado financeiro projeta IPCA de 5,2% para 2026, segundo o boletim Focus.

“O cenário fiscal e a política monetária restritiva devem segurar a demanda, mas choques de oferta e a alta do dólar ainda representam riscos”, concluiu Megale.

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