A inflação nos Estados Unidos registrou a maior queda mensal desde 2020, com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) recuando 0,4% em junho. O movimento foi impulsionado por uma diminuição nos preços de energia, especialmente da gasolina, devido a uma breve trégua no conflito no Oriente Médio.
No entanto, com a retomada dos ataques aéreos dos EUA no oeste do Irã, que mataram três pessoas segundo a agência estatal iraniana, espera-se que a pressão inflacionária retorne. Especialistas destacam que a volta do conflito deve reacender a alta nos preços de combustíveis e outros insumos.
Queda histórica e fatores temporários
O recuo de 0,4% no IPC de junho representa a maior deflação mensal desde o início da pandemia de Covid-19, em 2020. A trégua no Oriente Médio permitiu uma redução temporária nos custos de energia, que haviam disparado nos meses anteriores devido às tensões geopolíticas.
De acordo com dados do Departamento do Trabalho dos EUA, a gasolina caiu 5,1% em junho, contribuindo significativamente para o índice geral. Outros componentes, como alimentos e moradia, tiveram aumentos moderados, mas não suficientes para compensar a queda energética.
Retomada do conflito e perspectivas
Com o fim da trégua e a retomada dos ataques aéreos, analistas preveem que a inflação volte a subir nos próximos meses. "A pressão inflacionária deve retornar, com fatores como demanda por inteligência artificial e tarifas comerciais contribuindo para isso", afirmou um economista do banco Goldman Sachs.
Além do choque energético, a guerra no Oriente Médio afeta cadeias de suprimento globais, elevando custos de frete e matérias-primas. O Federal Reserve (Fed) monitora de perto os dados, e a expectativa é de que a taxa de juros permaneça elevada por mais tempo para conter a inflação.
Impacto na economia global
A volatilidade nos preços do petróleo também impacta a economia mundial. Países importadores, como o Brasil, podem sofrer com o aumento dos combustíveis. A trégua havia aliviado temporariamente as cotações, mas a retomada do conflito já elevou o barril do Brent em 3% nos últimos dias.
Especialistas alertam que a inflação nos EUA ainda está acima da meta de 2% do Fed, e a queda de junho pode ser apenas um alívio pontual. "O cenário de incerteza geopolítica continua sendo o principal risco para a inflação", concluiu o economista.



