O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,16% em junho, ficando abaixo do esperado pelo mercado, que projetava 0,20%. O resultado foi divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira. A inflação acumulada em 12 meses recuou para 3,16%, dentro da meta do Banco Central.
Composição do IPCA de junho
Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta em junho. O maior impacto veio de Alimentação e Bebidas, que subiu 0,44%, puxado pela alta da batata-inglesa (20,6%) e do tomate (11,2%). Habitação caiu 0,28%, influenciada pela redução na tarifa de energia elétrica residencial (-1,9%). O grupo Transportes ficou estável, com queda nos preços das passagens aéreas (-8,9%) compensando alta da gasolina (0,5%).
Impacto nos juros e na renda fixa
A inflação abaixo do esperado reforça a expectativa de que o Banco Central possa iniciar um ciclo de corte na Selic, atualmente em 13,75% ao ano. No entanto, os juros futuros ainda operam em patamares elevados, com taxas de IPCA+ acima de 6% para prazos longos. "Apesar do IPCA baixo, o mercado segue cauteloso com a trajetória fiscal", afirma André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos. "Isso mantém os prêmios de risco elevados na renda fixa."
Oportunidades na renda fixa
Com juros altos, títulos como Tesouro IPCA+ com juros semestrais oferecem rentabilidade real acima de 6% ao ano. "É um momento de travar essas taxas para garantir retornos reais elevados", recomenda Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter. Ela destaca que debêntures incentivadas e CRIs também têm emitido com prêmios atrativos. No entanto, alerta para o risco de crédito em emissões de empresas mais alavancadas.



