O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,16% em junho, abaixo da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,20%. O dado reforça a aposta em um corte da taxa Selic na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom), embora a alta do petróleo mantenha o alerta sobre a trajetória da inflação.
Resultado surpreende e fortalece expectativa de corte
O resultado veio menor que o consenso de mercado, indicando desaceleração em relação ao mês anterior. Para analistas, o IPCA fraco abre espaço para o Banco Central iniciar um ciclo de afrouxamento monetário. No entanto, a recente disparada do petróleo no mercado internacional ainda preocupa, podendo pressionar os preços de combustíveis e impactar a inflação futura.
Segundo economistas consultados, a mediana das projeções para o IPCA de junho era de 0,20%, e o dado divulgado pelo IBGE ficou abaixo disso. "A inflação corrente mostra que a demanda está desacelerando, o que é positivo para o Copom", afirmou um analista de renda fixa.
Petróleo mantém alerta
Apesar do número favorável, o mercado monitora o preço do petróleo, que subiu mais de 5% nas últimas semanas devido a tensões geopolíticas. Isso pode impactar os preços de combustíveis e, consequentemente, a inflação. "O petróleo é um fator de risco que não pode ser ignorado. Se a alta persistir, pode limitar o espaço para cortes mais agressivos", explicou um estrategista de investimentos.
Mesmo assim, a maioria dos agentes financeiros acredita que o Copom reduzirá a Selic em 0,25 ponto percentual em agosto, levando a taxa básica de juros para 13,50% ao ano. A decisão dependerá dos próximos dados de inflação e da evolução do cenário externo.
Impacto nos investimentos
Com a perspectiva de juros mais baixos, a renda fixa pré-fixada e os títulos indexados à inflação (IPCA+) ganham destaque. Alguns papéis chegam a oferecer taxas acima de IPCA+17%, atraindo investidores em busca de proteção contra a inflação e rentabilidade real elevada. No entanto, é importante avaliar o risco de crédito de cada emissor.
O mercado de ações também reagiu positivamente, com o Ibovespa recuperando os 175 mil pontos. A expectativa de corte de juros favorece setores como consumo e construção civil, que se beneficiam de custos de financiamento mais baixos.



