Inflação cai a 3,8% em junho, menor patamar em 12 meses
Inflação cai a 3,8% em junho, menor patamar em 12 meses

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou para 3,8% em junho, na comparação anual, o menor patamar desde julho de 2025. O resultado, divulgado nesta sexta-feira pelo IBGE, ficou abaixo do esperado pelo mercado (4,1%) e reforça a tendência de arrefecimento da inflação no Brasil.

Alívio nos preços de alimentos e combustíveis

A queda foi puxada principalmente pelos grupos Alimentação e Bebidas, que registraram deflação de 0,5% no mês, e Transportes, com recuo de 0,3%. Os combustíveis, em especial a gasolina, caíram 1,2% em junho, após três meses de alta. “A safra de verão e a redução nos preços internacionais do petróleo contribuíram para esse movimento”, explicou André Almeida, gerente do IPCA no IBGE.

No acumulado do primeiro semestre, o IPCA soma 2,9%, contra 3,4% no mesmo período de 2025. A meta de inflação para 2026 é de 3,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impacto na política monetária

A inflação mais baixa aumenta a pressão sobre o Banco Central para iniciar um ciclo de cortes na Selic, atualmente em 13,75% ao ano. Economistas do mercado financeiro já projetam uma redução de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto. “O IPCA de junho abre espaço para o BC começar a flexibilizar a política monetária sem comprometer a credibilidade”, avaliou a economista-chefe da XP Investimentos, Camila Saito.

O Comitê de Política Monetária (Copom), no entanto, mantém cautela. Em ata recente, o colegiado destacou que as expectativas de inflação para 2027 e 2028 seguem acima da meta, o que pode postergar o afrouxamento.

Setores com maior alta

Apesar do alívio geral, alguns itens seguem pressionados. O grupo Habitação subiu 0,8% no mês, puxado pela energia elétrica, que teve reajuste médio de 1,5% em várias capitais. Saúde e Cuidados Pessoais também avançaram 0,6%, com destaque para os planos de saúde, que acumulam alta de 7,2% nos últimos 12 meses.

Já o grupo Vestuário registrou inflação de 0,4%, influenciado pela entrada da coleção de inverno. “Os preços de roupas costumam subir nessa época, mas o ritmo está abaixo da média histórica”, observou Almeida.

Expectativas para o segundo semestre

O mercado projeta que o IPCA encerre 2026 em 4,2%, segundo o boletim Focus. Ainda assim, o número é inferior aos 4,5% projetados há um mês. O governo federal comemorou o dado: “A inflação sob controle é resultado da política fiscal responsável e do esforço do governo para segurar preços de itens essenciais”, afirmou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em nota.

Para o consumidor, a queda da inflação representa ganho de poder de compra, especialmente para as famílias de baixa renda, que destinam maior parcela do orçamento a alimentos e combustíveis. A pesquisa mostra que o custo da cesta básica caiu 1,2% em junho, na média das 17 capitais analisadas pelo Dieese.

Comparação internacional

O Brasil se destaca entre as economias emergentes com a inflação mais baixa. Enquanto o IPCA brasileiro recuou, a inflação ao consumidor na Argentina superou os 100% ao ano e no México ficou em 5,2% em junho. Nos Estados Unidos, o CPI anualizado foi de 3,1% no mesmo período, ainda acima da meta do Fed.

“A convergência da inflação brasileira para a meta é um sinal positivo para a atração de investimentos estrangeiros”, destacou a economista Saito. O real se valorizou 0,8% frente ao dólar nesta semana, refletindo o otimismo com os dados.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar