O forte aumento nas expectativas de inflação para 2028 chamou a atenção do Itaú Unibanco, que vê riscos de desancoragem das expectativas de longo prazo. Segundo relatório assinado pela equipe de macroeconomia do banco, a mediana das expectativas para 2028 no Boletim Focus subiu de 3,5% para 3,8% na semana passada, maior alta semanal desde o início da série histórica, em 2023.
Contexto e detalhes do movimento
O movimento ocorre em meio a revisões para cima nas projeções de inflação para 2026 e 2027, que também subiram, mas em menor magnitude. Para 2026, a mediana passou de 4,0% para 4,1%, enquanto para 2027 foi de 3,7% para 3,8%. O Itaú destaca que, embora as expectativas para os anos mais curtos ainda estejam abaixo do teto da meta (4,5% para 2026 e 4,0% para 2027), a piora nas expectativas de prazos mais longos acende um alerta.
Impactos e análise do Itaú
“A alta nas expectativas para 2028 é particularmente preocupante, pois sinaliza que os agentes econômicos estão começando a duvidar da capacidade do Banco Central de ancorar a inflação no longo prazo”, afirmou o relatório. O banco ressalta que a meta de inflação para 2028 é de 3,0%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Com a expectativa em 3,8%, o indicador já supera o centro da meta e se aproxima do teto de 4,5%.
Reação do mercado e perspectivas
O movimento coincide com a recente alta do dólar e a piora nas expectativas fiscais. O Itaú avalia que, se as expectativas continuarem a subir, o Copom pode ser forçado a elevar a taxa Selic, atualmente em 13,75%, para conter a pressão inflacionária. “O cenário exige cautela e monitoramento constante, pois a desancoragem das expectativas pode exigir uma política monetária mais contracionista”, conclui o documento.



