China avalia medidas mais rígidas para controlar exportação de IA
China avalia medidas mais rígidas para exportação de IA

O governo chinês está avaliando a implementação de medidas mais rigorosas para controlar a exportação de modelos de inteligência artificial (IA) e chips avançados, de acordo com fontes próximas ao assunto. A iniciativa visa proteger a segurança nacional e manter a competitividade tecnológica do país em um cenário global de crescente tensão comercial.

Novas regras para exportação de tecnologia

Segundo informações do Financial Times, as autoridades chinesas estão considerando ampliar o controle sobre a saída de tecnologias de IA, incluindo modelos de linguagem de grande escala (LLMs) e semicondutores de última geração. A medida abrangeria tanto empresas estatais quanto privadas, exigindo licenças específicas para exportação.

Um funcionário do Ministério do Comércio chinês, que falou sob condição de anonimato, afirmou: "Precisamos garantir que nossas tecnologias mais sensíveis não caiam em mãos erradas, especialmente em meio a sanções e restrições de outros países." A declaração reflete a preocupação de Pequim com a transferência de tecnologia para nações consideradas adversárias.

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Impacto no setor de semicondutores

As novas regras podem afetar diretamente empresas como a Huawei e a SMIC, que já enfrentam restrições dos Estados Unidos. A China é um dos maiores produtores mundiais de chips, mas depende de equipamentos estrangeiros para fabricação. Em 2025, o país exportou cerca de US$ 150 bilhões em semicondutores, segundo dados da Associação da Indústria de Semicondutores da China.

Especialistas apontam que a medida pode intensificar a guerra tecnológica entre China e EUA. "Essa é uma resposta direta às sanções americanas. A China quer evitar que suas inovações em IA sejam usadas contra ela", disse Zhang Wei, analista do Instituto de Política Tecnológica de Pequim.

Contexto geopolítico

As discussões ocorrem em meio a um aumento das tensões entre China e Estados Unidos, especialmente no setor de tecnologia. Em outubro de 2025, Washington ampliou as restrições à exportação de chips de IA para a China, afetando empresas como a Nvidia. Pequim, por sua vez, tem investido pesado em desenvolvimento interno de IA e semicondutores.

O governo chinês também planeja criar uma lista de tecnologias consideradas críticas para a segurança nacional, que exigiriam aprovação prévia para exportação. A lista incluiria modelos de IA com capacidade de processamento acima de um certo limite, além de chips com arquitetura avançada.

Reações do mercado

As ações de empresas de tecnologia chinesas caíram ligeiramente após a notícia, com o índice Hang Seng Tech recuando 0,8% na segunda-feira. Analistas do banco Goldman Sachs alertaram que as novas regras podem reduzir a receita de empresas como a Alibaba e a Tencent, que desenvolvem modelos de IA para clientes internacionais.

No entanto, Pequim argumenta que a medida é necessária para evitar a proliferação de tecnologias que possam ser usadas em vigilância ou armas autônomas. "Não estamos fechando o mercado, mas sim estabelecendo salvaguardas responsáveis", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Wang Wenbin.

Próximos passos

Espera-se que o Conselho de Estado chinês analise a proposta nas próximas semanas, com possível implementação ainda em 2026. Empresas do setor terão um período de transição para se adequar às novas exigências. A medida também pode incluir sanções para violações, como multas e revogação de licenças de exportação.

A China não é a única a adotar tais controles. Os EUA, a União Europeia e o Japão já possuem mecanismos semelhantes para tecnologias sensíveis. A diferença, segundo especialistas, é que a China busca agora um papel mais ativo na definição das regras do comércio global de IA.

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