O governo Lula lançou o programa Desenrola Adimplentes, que oferece crédito com juros de 1,99% ao mês para trabalhadores informais que mantêm suas parcelas de dívida em dia. A medida, no entanto, impõe uma condição inédita: o bloqueio do CPF do beneficiário em plataformas de apostas online (bets) por um período de seis meses.
Como funciona o Desenrola Adimplentes
Para ter acesso ao crédito, o trabalhador informal precisa ter pago ao menos quatro parcelas de uma dívida de até R$ 15 mil sem atrasos superiores a 90 dias. O programa é voltado para aqueles que já estão adimplentes no âmbito do Desenrola Brasil, mas que ainda precisam de crédito para alavancar seus negócios ou cobrir despesas.
O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal serão os responsáveis por oferecer as linhas de crédito, que contarão com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO). A taxa de 1,99% ao mês é considerada baixa para o mercado de crédito pessoal, especialmente para informais sem acesso a bancos tradicionais.
Bloqueio em bets: medida inovadora
A exigência de bloquear o CPF em sites de apostas por seis meses é uma tentativa do governo de evitar que o crédito seja desviado para jogos de azar, que têm crescido no Brasil. Segundo o Ministério da Fazenda, a medida busca proteger o trabalhador e garantir que o dinheiro seja usado para fins produtivos.
O bloqueio será feito por meio de um cadastro nacional de CPFs impedidos de acessar plataformas de apostas, que já existe e será atualizado mensalmente. As empresas de apostas que descumprirem a regra estarão sujeitas a multas e até à suspensão de suas operações.
Impacto e críticas
Especialistas avaliam que a medida pode reduzir o endividamento associado a apostas, mas também gera questionamentos sobre a liberdade do trabalhador. “É uma intervenção forte, mas justificável diante do risco de superendividamento”, afirma o economista Carlos Alberto, da FGV. “O crédito barato precisa ser usado com responsabilidade.”
Por outro lado, associações de defesa do consumidor criticam a falta de diálogo prévio. “O governo não pode simplesmente bloquear o CPF sem uma autorização judicial”, diz Maria Silva, do Instituto de Defesa do Consumidor. “Há risco de vazamento de dados e de exclusão digital.”
Próximos passos
O programa começa em agosto de 2026, com previsão de atender cerca de 2 milhões de trabalhadores informais. As inscrições serão feitas pelo aplicativo do Desenrola Brasil. O governo espera injetar R$ 5 bilhões na economia com a medida.



