A confiança dos consumidores brasileiros recuou pelo terceiro mês consecutivo em julho e atingiu o menor nível em quatro meses, com piora na percepção sobre a situação atual, segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgados nesta segunda-feira (27).
Queda do ICC e piora na situação atual
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da FGV caiu 0,4 ponto em julho, para 88,3 pontos, o menor patamar desde março deste ano. O Índice de Situação Atual (ISA) recuou 2,6 pontos, para 84,4 pontos, com destaque para a deterioração da percepção sobre o orçamento financeiro das famílias.
“Entre as faixas de renda, os consumidores de menor renda tiveram maior participação na queda do indicador agregado”, explicou Anna Carolina Gouveia, economista do FGV/Ibre.
Expectativas futuras mostram leve recuperação
Por outro lado, o Índice de Expectativas (IE) subiu 1,1 ponto, para 91,5 pontos, após dois meses de quedas consecutivas. Gouveia destacou que, até o mês passado, a piora da confiança era impulsionada pela deterioração das expectativas futuras, enquanto a percepção sobre o presente seguia em melhora.
“Embora ainda possa refletir uma calibragem dos resultados anteriores, a virada de chave observada neste mês pode sinalizar que o pessimismo em relação ao futuro começa a influenciar a avaliação atual dos consumidores, especialmente de sua situação financeira”, afirmou a economista.
Endividamento e juros altos pressionam orçamento
A economista completou: “O alto endividamento e inadimplência das famílias, junto a um contexto de juros fortemente restritivo, segue sendo o principal ponto de pressão do orçamento do consumidor, influenciando sua percepção sobre a economia.”
A taxa básica de juros está atualmente em 14,25% ao ano, e o Banco Central volta a se reunir na próxima semana para decidir sobre a política monetária. O cenário de juros elevados e crédito restrito continua a pesar sobre o consumo, especialmente entre as famílias de menor renda, que são mais sensíveis às variações da economia.



