Renda fixa com CDI+5% vira febre, mas exige cuidados do investidor
Renda fixa com CDI+5% vira febre, mas exige cuidados

Uma nova febre tomou conta do mercado de renda fixa brasileiro: títulos que pagam CDI+5% ao ano. Com a Selic em patamares elevados, esses papéis têm atraído investidores em busca de retornos extraordinários. No entanto, especialistas alertam que é preciso cautela, pois o alto rendimento pode vir acompanhado de riscos maiores, como crédito e liquidez.

O que está por trás da alta rentabilidade?

Os títulos com CDI+5% são emitidos por empresas que precisam captar recursos e estão dispostas a pagar um prêmio elevado. Muitas vezes, são companhias com rating de crédito mais baixo, o que aumenta o risco de calote. “O investidor precisa entender que não existe almoço grátis: rentabilidade extra exige assumir mais risco”, afirma Carlos Siqueira, analista de renda fixa da XP Investimentos.

Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que a emissão de debêntures incentivadas e não incentivadas cresceu 35% no primeiro semestre de 2026, atingindo R$ 120 bilhões. Desse total, cerca de 20% ofereciam spreads acima de CDI+4%.

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Comparação com IPCA+ e outras alternativas

Mesmo com o IPCA+ em níveis atrativos (acima de 6% ao ano), muitos investidores têm migrado para a renda fixa prefixada ou pós-fixada com CDI+. Porém, a Dahlia Investimentos, em sua carteira recomendada, prioriza a Bolsa de Valores. “Ações de empresas sólidas, com bons dividendos, podem superar a renda fixa no longo prazo”, diz relatório da corretora. O Morgan Stanley, por sua vez, reforçou o Brasil como favorito e ajustou o portfólio para o fenômeno El Niño, recomendando ações de energia e agronegócio.

Riscos que não podem ser ignorados

O principal risco é o de crédito. Títulos de empresas em dificuldades financeiras podem não honrar o pagamento. Além disso, a liquidez é limitada: em momentos de estresse, pode ser difícil vender o papel antes do vencimento sem grande deságio. “Recomendo que o investidor diversifique e não concentre mais de 10% do portfólio nesse tipo de ativo”, orienta Siqueira.

Outro ponto é o risco de marcação a mercado. Fundos que investem nesses títulos podem sofrer volatilidade no curto prazo, mesmo que o rendimento final seja elevado. “Quem não pode esperar até o vencimento deve evitar esses papéis”, alerta a analista Renata Oliveira, do Banco Safra.

Alternativas seguras e rentáveis

Para quem busca segurança, o Tesouro Direto ainda oferece boas opções, como o Tesouro IPCA+ com juros semestrais, que paga IPCA+6,5% ao ano. As LCIs e LCAs, isentas de Imposto de Renda, também são alternativas interessantes. “Com R$ 50 mil, é possível obter rendimento líquido superior a 100% do CDI sem pagar IR”, exemplifica Oliveira.

O Santander vê espaço para crescimento em fundos imobiliários (FIIs) de até R$ 30 bilhões, especialmente os de tijolo (lajes corporativas e galpões logísticos). “Esses fundos oferecem renda mensal e potencial de valorização, com risco moderado”, afirma o banco.

Conclusão: cautela e planejamento

A febre do CDI+5% pode ser uma oportunidade, mas exige análise criteriosa. O investidor deve avaliar o emissor, o prazo, a liquidez e sua própria tolerância ao risco. “Não se deixe levar apenas pela rentabilidade; entenda o que está comprando”, conclui Siqueira. Com planejamento e diversificação, é possível aproveitar os juros altos sem sustos.

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