Portugal precisa de mais trabalhadores na construção; brasileiros são minoria nas vagas
Portugal precisa de trabalhadores na construção

Portugal enfrenta uma grave escassez de mão de obra no setor da construção civil, um dos pilares da economia do país. Segundo a Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), existem atualmente cerca de 80 mil vagas abertas no setor, mas a captação de trabalhadores estrangeiros, especialmente brasileiros, ainda não atingiu o ritmo necessário para suprir a demanda. Até o momento, apenas 4,6 mil trabalhadores foram contratados por meio do mecanismo "via verde", criado para facilitar a imigração de profissionais qualificados, e a participação de brasileiros nesse total é considerada baixa.

Crise de mão de obra na construção portuguesa

A construção civil em Portugal vem enfrentando dificuldades crescentes para encontrar profissionais, tanto para obras de infraestrutura quanto para empreendimentos privados. O envelhecimento da força de trabalho local e a saída de jovens para outros setores têm agravado o problema. De acordo com Ricardo Gomes, representante da AICCOPN, "a mão de obra estrangeira é essencial para preencher as milhares de vagas existentes, sem a qual muitos projetos podem ser adiados ou cancelados". O setor depende fortemente de imigrantes brasileiros, tradicionalmente uma das maiores comunidades estrangeiras no país, mas os números recentes mostram uma participação aquém do esperado.

O papel dos trabalhadores brasileiros

Os brasileiros sempre tiveram presença relevante na construção civil portuguesa, ocupando cargos desde pedreiros a engenheiros. No entanto, a concorrência com outros setores da economia, como serviços e tecnologia, tem reduzido o interesse dos brasileiros pelo setor. Além disso, as exigências burocráticas e a demora na regularização documental são apontadas como barreiras. A "via verde" foi implementada para acelerar o processo de contratação, permitindo que empresas portuguesas recrutassem diretamente profissionais estrangeiros com vistos simplificados. Contudo, até o momento, apenas 4,6 mil vagas foram preenchidas por esse canal, um número bastante inferior às 80 mil abertas. Desse total, os brasileiros representam uma parcela minoritária, embora a associação não tenha divulgado o percentual exato.

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Mecanismo 'via verde' e seus resultados

O programa "via verde" foi lançado pelo governo português em parceria com associações patronais para agilizar a imigração de trabalhadores para setores com déficit de mão de obra. Na construção, a expectativa inicial era atrair milhares de profissionais, especialmente do Brasil e de países africanos de língua portuguesa. No entanto, os resultados têm ficado aquém do necessário. Ricardo Gomes destacou que "a captação de estrangeiros é fundamental, mas o processo ainda precisa de ajustes para ser mais eficiente". A associação defende a ampliação do programa e a redução da burocracia, além de campanhas de divulgação nos países de origem. Enquanto isso, construtoras portuguesas recorrem a outras estratégias, como a contratação temporária de trabalhadores de países da União Europeia e o aumento da mecanização, mas essas medidas não são suficientes para cobrir o déficit.

Impacto na economia e perspectivas

A falta de mão de obra na construção civil tem impacto direto no crescimento econômico de Portugal. Projetos de habitação, infraestrutura pública e obras privadas estão atrasados, elevando custos e pressionando o mercado imobiliário. O setor é um dos maiores empregadores do país, e a impossibilidade de preencher as vagas pode levar à desaceleração de investimentos. A AICCOPN estima que, sem a contratação de estrangeiros em maior escala, o déficit de trabalhadores deve persistir pelos próximos anos. Para aumentar a atratividade, algumas empresas têm oferecido salários mais altos e benefícios, mas a solução estrutural passa pela simplificação da imigração e pela qualificação profissional. Enquanto isso, a comunidade brasileira, que historicamente contribuiu para o setor, ainda não respondeu ao chamado em volume suficiente, deixando em aberto um desafio para o governo e para a indústria da construção em Portugal.

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