Consumo de água com gás no Brasil cresce 19% em dois anos
Consumo de água com gás cresce 19% em dois anos

O consumo de água com gás pelos brasileiros registrou um crescimento de 19% nos últimos dois anos, segundo dados do setor de bebidas. O aumento reflete uma mudança nos hábitos de consumo, com maior busca por alternativas saudáveis e menos calóricas em relação a refrigerantes e outras bebidas açucaradas.

Crescimento impulsionado por saudabilidade

A procura por água gaseificada vem crescendo de forma consistente no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e Bebidas não Alcoólicas (ABIR), o volume de vendas saltou de 1,2 bilhão de litros em 2024 para 1,43 bilhão de litros em 2026. O incremento de 19% supera o crescimento de outras categorias de bebidas não alcoólicas no mesmo período.

Especialistas apontam que a pandemia de Covid-19 acelerou a conscientização sobre saúde, levando consumidores a optarem por produtos com baixo teor de açúcar. Além disso, a diversificação de sabores e a maior disponibilidade nos pontos de venda também contribuíram para o avanço.

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Mercado aquecido e novas marcas

O bom momento do segmento atraiu novos players. Grandes grupos como a Coca-Cola, com sua linha Schweppes, e a Ambev, com a Água Tônica Antarctica, ampliaram seus portfólios. Já marcas emergentes, como a brasileira Gás Natural, conquistaram espaço nas prateleiras de supermercados e padarias.

“O consumidor brasileiro está mais exigente e disposto a pagar um pouco mais por um produto que ele considera mais saudável”, afirma João Silva, diretor da consultoria de mercado Euromonitor International. “A água com gás se beneficiou desse movimento, tornando-se uma opção premium para o dia a dia.”

Regional e socioeconômico

O crescimento não foi homogêneo. As regiões Sudeste e Sul concentram 65% do consumo total, impulsionadas pelo maior poder aquisitivo e pela maior exposição a tendências internacionais. No entanto, o Nordeste apresentou o maior crescimento percentual, com alta de 24% nos dois anos, segundo a ABIR.

“A penetração da água com gás ainda é baixa em classes C e D, mas estamos vendo um aumento gradual. As marcas estão investindo em embalagens menores e preços mais acessíveis para atrair esse público”, complementa Silva.

Desafios e perspectivas

Apesar do otimismo, o setor enfrenta desafios logísticos e de custos. O preço do gás carbônico (CO₂) subiu 12% no último ano, pressionando as margens. Além disso, a água com gás é mais cara de transportar devido ao peso adicional das garrafas e à necessidade de manutenção da carbonatação.

Projeções da Euromonitor indicam que o mercado deve crescer entre 8% e 10% ao ano até 2028, sustentado pelo lançamento contínuo de novos sabores e pela expansão de canais como delivery e venda online.

Impacto ambiental e tendência global

A preferência por água com gás também reflete uma preocupação ambiental, já que muitos consumidores a veem como uma alternativa às bebidas processadas, com menos embalagens plásticas. Empresas como a italiana SodaStream incentivam a produção caseira, reduzindo descartes.

Globalmente, o mercado de água gaseificada movimentou US$ 26 bilhões em 2025, com crescimento esperado de 7% ao ano. O Brasil, embora ainda atrás de países como Alemanha e Estados Unidos, tem potencial para se tornar um dos maiores mercados da América Latina.

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