Mercado de imóveis comerciais recua com juros altos no Brasil
Mercado de imóveis comerciais recua com juros altos

As transações de grandes propriedades comerciais no Brasil somaram R$ 4,8 bilhões no segundo trimestre de 2026, uma queda de 42% em relação ao primeiro trimestre (R$ 8,3 bilhões) e 14% abaixo do mesmo período de 2025 (R$ 5,6 bilhões), segundo levantamento da consultoria Cushman & Wakefield. No acumulado do primeiro semestre, o volume totalizou R$ 13,1 bilhões, alta de 57% ante os R$ 8,4 bilhões registrados em igual período do ano anterior.

Setor de galpões logísticos lidera transações

O segmento de galpões logísticos foi o mais aquecido, com 15 operações no segundo trimestre, totalizando R$ 2,9 bilhões (60% do volume total). No semestre, os galpões movimentaram R$ 6 bilhões, equivalentes a 47% do total. O crescimento é impulsionado pela demanda de centros de distribuição e armazenamento para o comércio eletrônico. Fundos imobiliários geridos pela XP, por exemplo, realizaram mais de R$ 1 bilhão em compras no segundo trimestre, incluindo os condomínios GLP I e II, em Jundiaí (SP).

Os imóveis de varejo (shoppings e grandes lojas) registraram sete transações no segundo trimestre, somando R$ 1,3 bilhão (27% do total). Destacaram-se a Iguatemi, que ampliou sua participação no Pátio Paulista, e o fundo Pátria Malls, que adquiriu participações nos shoppings Eldorado, Plaza Sul e Higienópolis. O segmento de escritórios teve seis operações, no valor de R$ 531 milhões (13% do total).

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Juros altos freiam ritmo de negócios

O diretor geral da Cushman & Wakefield, Daniel Battistella, explica que o recuo das transações no segundo trimestre reflete a frustração com a manutenção da taxa de juros elevada. “Os últimos meses vieram mais fracos em volume. A principal hipótese é que a narrativa de redução da taxa de juros não se confirmou como o esperado”, avalia. “Para os próximos meses, talvez o volume de transações não atinja o que foi visto em 2025 (R$ 26,6 bilhões) por causa desses juros altos.”

Battistella ressalta que os fundamentos positivos — como redução de vacância e aumento dos aluguéis — continuam atraindo investidores, mas o ambiente de juros altos torna o mercado mais seletivo. “A tendência é priorizar ativos com fundamentos operacionais sólidos, contratos de locação robustos e potencial de geração de fluxo de caixa previsível.”

Mercado em compasso de espera

Fernando Oliveira, fundador da Primaz & Co, butique de investimentos imobiliários, compartilha da mesma visão. “Mesmo com o juro alto, todos os setores do mercado imobiliário têm subido o preço da locação, o que agradou o investidor nos últimos trimestres”, comenta. Para ele, o crescimento da economia tem impulsionado a demanda por galpões, varejo e escritórios.

Luiz Viotti, presidente da Primaz & Co, projeta que o mercado deve adiar decisões no segundo semestre. “Esperamos que o mercado entre em compasso de espera, porque continuamos vendo juros em um patamar altíssimo e ainda teremos incerteza com as eleições.” Ele aponta o setor hoteleiro como possível exceção, com cerca de 20 hotéis para comercializar. “Temos muitos pedidos de investidores internacionais para entrar no Brasil”, destaca Viotti, mencionando interesse concentrado em capitais e principais destinos turísticos, impulsionado pelo crescimento do turismo nacional e internacional.

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