A Polícia Civil do Rio Grande do Sul abriu investigação contra a imobiliária VenezaUno, suspeita de apropriação indébita de recursos de condomínios em Porto Alegre. A empresa teria encerrado as atividades sem comunicar síndicos e fornecedores, deixando dívidas e prejuízos.
Investigação da 17ª Delegacia
O inquérito foi instaurado na segunda-feira (08) pela 17ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre. Até a semana passada, a VenezaUno mantinha escritório em um prédio comercial na Avenida Cristóvão Colombo, zona norte da capital. No entanto, nesta terça-feira (09), a reportagem da RBS TV constatou que o local estava fechado.
O delegado Raul Vier, responsável pelo caso, confirmou que já foram registradas mais de 20 ocorrências relacionadas à administradora de condomínios. A suspeita é de que a empresa recebia os valores dos condomínios para gestão, mas não repassava os pagamentos devidos.
Relato de síndico
Luís Madeira, síndico de um prédio no bairro Auxiliadora, contou que só soube do problema quando um fornecedor o procurou, afirmando não ter recebido por serviços de limpeza. "Estamos preocupados. Perdi o contato com a assessora. Temos R$ 80 mil da conta do condomínio vinculados à administradora e não sabemos como sacar", disse.
Ele revelou que as últimas três contas de água do condomínio estão em aberto, pois o dinheiro das cotas condominiais não foi usado para quitar as despesas. O síndico estuda medidas legais para recuperar os valores.
Próximos passos da investigação
A Polícia Civil informou que pretende ouvir síndicos vítimas e representantes da empresa antes de concluir o inquérito. A defesa da imobiliária, representada pela advogada Juliana Leopardo, afirmou em nota que está colaborando com as autoridades e que os sócios estão à disposição para prestar esclarecimentos.
Em comunicado oficial, a VenezaUno disse estar em processo de reorganização administrativa e financeira. A empresa disponibilizou o e-mail reclame.venezauno@seuouvidor.com.br para contato e prometeu responder individualmente a cada condomínio nos próximos dias.
A advogada Juliana Leopardo declarou: "Na condição de advogada dos sócios, informo que tivemos conhecimento do inquérito e os investigados estão à disposição das autoridades. Ainda não tivemos acesso integral aos elementos da investigação, mas os sócios não se furtaram ao contato com os condomínios. A defesa confia que a apuração esclarecerá os fatos."



