Petróleo dispara com tensões geopolíticas
O preço do petróleo registrou forte alta nesta segunda-feira, impulsionado por novos ataques a refinarias na Arábia Saudita e pelo aumento das tensões entre Irã e Estados Unidos. O barril do Brent, referência internacional, fechou a US$ 85,50, alta de 4,2%, maior nível desde outubro de 2014. O West Texas Intermediate (WTI) subiu 4,5%, para US$ 82,30.
Impacto na inflação e nos mercados
A disparada do petróleo reacendeu o temor de inflação global, uma vez que o insumo impacta diretamente os custos de transporte e produção. O mercado passou a precificar com mais força a possibilidade de juros mais altos nos Estados Unidos e na Europa. O índice de medo (VIX) saltou 18%, para 24 pontos. As bolsas asiáticas fecharam no vermelho: Nikkei caiu 2,1%, Hang Seng perdeu 1,8% e Xangai recuou 1,2%. Na Europa, o Stoxx 600 operava em baixa de 1,5% no meio da tarde.
No Brasil, o Ibovespa fechou em queda de 2,51%, aos 115.200 pontos, pressionado pelas ações de Petrobras (PETR4, -4,3%) e do setor aéreo. O dólar comercial subiu 1,8%, cotado a R$ 5,12, com investidores buscando proteção. A taxa de juros futura (DI para janeiro de 2027) avançou para 13,45% ao ano.
Reação do governo e analistas
O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o governo monitora a situação e que a política de preços da Petrobras será mantida. "Não vamos interferir nos preços dos combustíveis, mas estamos atentos aos impactos fiscais", disse em entrevista. Analistas do Credit Suisse alertaram que, se o petróleo se mantiver acima de US$ 80, a inflação brasileira pode superar o teto da meta em 2026, forçando o Banco Central a elevar a Selic para 14% ao ano.
Perspectivas e riscos
O Goldman Sachs elevou sua previsão para o Brent no terceiro trimestre para US$ 90, citando riscos de oferta. "O mercado de petróleo está em déficit e qualquer interrupção adicional pode levar os preços a níveis não vistos desde 2008", afirmou o banco. O cenário aumenta a pressão sobre países importadores, como Índia e Japão, e pode reduzir o crescimento global. O FMI deve revisar suas projeções de crescimento na próxima reunião.



