O preço do petróleo continua em trajetória de queda e já se aproxima do valor registrado antes do início da guerra no Oriente Médio. Nesta quinta-feira, o barril do Brent, referência internacional, recuou 1,38%, sendo negociado a US$ 78,45. O movimento é impulsionado por um acordo de paz preliminar entre Estados Unidos e Irã, além da reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o escoamento da produção petrolífera da região.
Impacto do acordo EUA-Irã
As negociações entre Washington e Teerã avançaram nas últimas semanas, resultando em um entendimento inicial que prevê a flexibilização de sanções em troca de limitações ao programa nuclear iraniano. O Irã, que já foi um fornecedor-chave para grandes importadores asiáticos como China, Coreia do Sul e Japão, antes do endurecimento das restrições impostas pelos Estados Unidos, poderá retomar gradualmente suas exportações de petróleo. A expectativa de aumento da oferta no mercado global pressiona os preços para baixo.
Reabertura do Estreito de Ormuz
Outro fator relevante é a reabertura do Estreito de Ormuz, que havia sido parcialmente fechado durante o conflito. A passagem, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, voltou a operar normalmente, reduzindo os riscos de desabastecimento e contribuindo para a queda das cotações.
Cenário de estabilização
Especialistas do setor energético divergem quanto ao patamar de equilíbrio do petróleo nos próximos meses. Alguns analistas acreditam que o preço pode se estabilizar em torno de US$ 70 o barril, enquanto outros apontam que a média deve ficar próxima dos US$ 80. Um valor ao redor de US$ 80 seria positivo para aliviar as pressões inflacionárias globais, já que reduz os custos de energia e transporte.
Reflexos no Brasil
A queda do petróleo ocorre em um momento de ajuste na política monetária brasileira. O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, sinalizando um ciclo de afrouxamento gradual. Nos Estados Unidos, por outro lado, o Federal Reserve pode elevar os juros caso a inflação persista, o que poderia fortalecer o dólar e influenciar os preços das commodities.
A combinação de fatores geopolíticos e econômicos mantém o mercado de petróleo volátil. Investidores acompanham de perto as próximas rodadas de negociação entre EUA e Irã, bem como os dados de inflação americana, para projetar os rumos da commodity.



