O Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), conhecido principalmente como gás de cozinha, vai muito além do uso doméstico e desempenha um papel estratégico na matriz energética brasileira. De acordo com Sergio Bandeira, presidente do Sindigás (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo), o combustível pode contribuir para uma transição energética mais segura e inclusiva, ampliando o acesso à energia e reduzindo o uso de fontes mais poluentes, especialmente em regiões onde outras alternativas ainda não estão disponíveis.
GLP como aliado da descarbonização
Em entrevista mediada pela jornalista Aline Pacheco, Bandeira explicou como o GLP pode apoiar a descarbonização sem deixar de atender às demandas sociais e econômicas do país. “O GLP é uma fonte de energia limpa, eficiente e versátil, que pode ser utilizada em diversos setores, desde o residencial até o industrial, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa”, afirmou o executivo.
Combate à pobreza energética
O presidente do Sindigás também destacou o papel do GLP no combate à pobreza energética. “Milhões de brasileiros ainda dependem de lenha, carvão ou querosene para cozinhar, o que gera impactos negativos na saúde e no meio ambiente. O GLP oferece uma alternativa mais limpa e segura, melhorando a qualidade de vida dessas pessoas”, disse Bandeira. Segundo ele, a ampliação do acesso ao GLP é fundamental para garantir a inclusão energética no Brasil.
Potencial do biogás liquefeito (bioGLP)
Outro tema abordado foi o potencial do biogás liquefeito (bioGLP), uma versão renovável do GLP produzida a partir de resíduos orgânicos. “O bioGLP pode ser um importante vetor de descarbonização, especialmente em setores de difícil eletrificação, como o transporte e a indústria. O Brasil tem um enorme potencial para produzir bioGLP, dada a sua vasta produção de biomassa”, explicou o presidente do Sindigás.
Desafios regulatórios e perspectivas
Bandeira também discutiu os desafios regulatórios que o setor enfrenta, como a necessidade de uma legislação específica para o bioGLP e a simplificação de tributos. “Precisamos de um ambiente regulatório estável e previsível para incentivar investimentos e inovação. O GLP e o bioGLP têm um papel crucial na transição energética brasileira, mas é preciso que o governo e a sociedade reconheçam esse potencial e criem as condições necessárias para o seu desenvolvimento”, afirmou.
Para o futuro, o executivo vê perspectivas promissoras. “O GLP continuará sendo uma fonte essencial de energia no Brasil, especialmente em regiões remotas e para populações de baixa renda. Com o avanço do bioGLP, podemos tornar essa matriz ainda mais sustentável e alinhada com os objetivos climáticos do país”, concluiu.



