A companhia aérea low-cost argentina Flybondi chegou ao quinto dia consecutivo de cancelamentos de voos nesta quinta-feira, 8 de julho de 2026, por dificuldades financeiras para pagar o combustível de suas aeronaves. A situação afeta diretamente milhares de passageiros, incluindo brasileiros que utilizam a rota entre Buenos Aires e São Paulo.
Raízes do problema
De acordo com a empresa, a crise foi desencadeada por atrasos no repasse de fundos por parte de operadores de cartão de crédito e agências de viagens, que somam cerca de US$ 15 milhões. Sem esses recursos, a Flybondi não conseguiu honrar compromissos com a provedora de combustível, levando à suspensão das operações desde o último domingo.
"Estamos trabalhando intensamente para regularizar a situação e retomar os voos o mais rápido possível", afirmou a direção da Flybondi em nota oficial. A companhia também informou que está em negociação com investidores para obter capital de giro emergencial.
Impacto nos passageiros
Os cancelamentos afetaram mais de 30 mil passageiros em todo o país, com voos domésticos e internacionais suspensos. No Brasil, a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) foi acionada para monitorar a situação e garantir os direitos dos consumidores. A Flybondi opera voos para São Paulo (Guarulhos) e Florianópolis a partir de Buenos Aires.
"É um caos total. Perdi meu voo de volta para o Brasil e estou há dois dias tentando remarcar, sem sucesso", relatou o empresário paulista Ricardo Almeida, que está em Buenos Aires a trabalho.
Medidas emergenciais
A Flybondi anunciou que está disponibilizando reacomodações em outras companhias aéreas para passageiros com viagens urgentes, além de reembolso integral para quem optar por cancelar. No entanto, a procura supera a capacidade de resposta, e muitos passageiros relatam dificuldades para conseguir atendimento.
O governo argentino, por meio da Administração Nacional de Aviação Civil (ANAC Argentina), afirmou que está acompanhando de perto a situação e pode aplicar multas caso a empresa não cumpra as obrigações legais com os consumidores.
Perspectivas de retomada
Especialistas do setor aéreo avaliam que a Flybondi enfrenta um cenário crítico, com risco de falência se não conseguir capitalizar rapidamente. A empresa já havia reduzido sua frota de 12 para 8 aeronaves nos últimos meses devido à crise financeira.
"A Flybondi precisa de uma injeção de capital urgente para sobreviver. Caso contrário, pode se tornar a primeira grande baixa do setor aéreo argentino desde a pandemia", afirmou o analista de aviação Carlos Martínez, da consultoria AeroData.
Até o momento, não há previsão oficial para a retomada das operações. A companhia prometeu divulgar um novo comunicado ainda nesta quinta-feira.



