O Distrito Industrial de Manaus retomou suas atividades nesta segunda-feira (20), após o vazamento de monômero de estireno na Unidade 4 da empresa Innova ser controlado. A liberação foi confirmada pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), em nota divulgada hoje. Segundo a autarquia, a decisão foi tomada após um comitê formado por órgãos estaduais concluir, com base em avaliações técnicas, que não havia mais risco para trabalhadores e moradores da região.
Retomada das operações
Com a liberação, voltaram a funcionar as indústrias do Polo Industrial de Manaus que haviam suspendido as operações por precaução, as escolas estaduais localizadas na área afetada e o Serviço de Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) Studio 5. No domingo (19), o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas informou que medições realizadas no local confirmaram que não havia mais emissão de gás estireno. "Nesse momento não encontramos qualquer resíduo do gás estireno tanto no entorno como dentro da área isolada. Estamos com emissão zero a partir do tanque atingido", afirmou o comandante-geral da corporação, coronel Orleilso Muniz.
Monitoramento contínuo
Apesar da contenção, o Corpo de Bombeiros continuará atuando na fábrica para manter o resfriamento do tanque. Segundo o comandante, a retirada do produto armazenado e a desativação da estrutura podem levar meses. A Suframa informou que acompanha a ocorrência desde o início, participou das reuniões do comitê, monitorou os impactos do vazamento sobre o funcionamento do Polo Industrial de Manaus e enviou equipes técnicas ao local na quinta-feira (16) e na sexta-feira (17) para acompanhar as ações de contenção e fiscalização. A autarquia também abriu um procedimento administrativo para verificar eventual responsabilidade da empresa.
Monitoramento ambiental
O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) informou que continuará monitorando a operação na Innova, acompanhando a qualidade do ar, os efluentes gerados, a destinação dos resíduos remanescentes e o cumprimento das condicionantes da licença ambiental da empresa.
Atendimentos médicos
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), entre quarta-feira (16) e domingo (19), foram registrados 552 atendimentos de pessoas com sintomas compatíveis com possível exposição ao estireno. Apenas um paciente permanecia internado na rede estadual até este domingo. A secretaria continuará monitorando os atendimentos e orienta a população a procurar uma unidade de saúde ou acionar o Samu (192) em caso de sintomas.
Óbitos sob investigação
No sábado (18), um homem de 60 anos morreu após dar entrada em uma unidade particular com problemas respiratórios. A causa será investigada pela comissão de verificação de óbito da unidade privada para apurar possível relação com a exposição ao estireno. Outro paciente, de 67 anos, morreu na quarta-feira (16), mas a secretaria não constatou relação direta com o vazamento, já que ele tinha histórico de doença respiratória crônica.
Multas à Innova
A Innova foi multada em mais de R$ 20 milhões após inspeções técnicas. Na sexta-feira (17), a empresa foi autuada em 35 mil Unidades Fiscais do Município (UFMs), equivalente a R$ 5.347.300, por poluição do solo e de corpo hídrico. A prefeitura identificou, com drones equipados com câmeras térmicas, uma fissura na bacia de contenção do tanque e interditou parcialmente a fábrica. Horas depois, o Ipaam autuou a Innova em R$ 12,5 milhões por poluição atmosférica. Na quinta-feira (16), a prefeitura já havia aplicado outra multa de 30 mil UFMs (R$ 4.554.300) por poluição do ar. Somadas, as multas chegam a R$ 22.401.600,00. Os recursos arrecadados com as multas da prefeitura serão destinados ao Fundo Municipal para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (FMDMA).
O incidente
O vazamento de monômero de estireno foi registrado às 17h36 de quarta-feira (15), na Unidade IV da Innova. O forte odor do produto químico foi percebido em bairros próximos ao Distrito Industrial e levou à evacuação imediata de um shopping localizado nas proximidades. O monômero de estireno é utilizado na fabricação de plásticos, borrachas sintéticas e poliestireno expandido (isopor). A exposição por inalação pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de dor de cabeça, tontura e náusea. Desde a ocorrência, equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas atuam no resfriamento do tanque. A principal hipótese investigada é de uma reação espontânea no interior da estrutura.



